Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 16 de maio de 2021
Com 36% dos americanos totalmente imunizados contra a covid e 46,2% tendo tomado ao menos uma dose, o governo do presidente Joe Biden tomou duas decisões importantes: o uso da máscara deixou de ser obrigatório para quem estiver imunizado e os EUA buscarão se tornar um ator central na já chamada “diplomacia da vacina”.
Seu maior rival será a China, que, desde que o presidente Xi Jinping anunciou, em maio de 2020, que as vacinas produzidas por seu país seriam “um bem público global”, exportou, até 11 de maio, mais de 240 milhões de doses, das quais 94,4 milhões destinadas a países da América do Sul e Central, segundo dados da Airfinity, consultoria britânica de análise científica. No mesmo período, a exportação de imunizantes dos Estados Unidos para a região foi zero.
No primeiro capítulo do que especialistas acreditam que poderá se transformar, quando houver excedentes de produção, numa guerra comercial, Biden anunciou que seu país finalmente está em condições de “compartilhar vacinas e conhecimento com outros países que realmente precisam”.
Quase simultaneamente, o presidente americano apoiou, num gesto inédito e histórico, a proposta de quebra de patentes de vacinas no âmbito da Organização Mundial de Comércio (OMC).
“É uma guerra anunciada, com certeza. Tudo vai depender do resultado epidemiológico das vacinas. Hoje conhecemos sua eficácia, mas não sua efetividade. Não sabemos, ainda, qual é o melhor produto”, explica Paulo Buss, diretor do Centro de Relações Internacionais da Fiocruz.
Buss lembra que a diplomacia da saúde nasceu com a pandemia de cólera de 1850, surgida na Índia. Os problemas causados ao comércio levaram diversos países a se unirem para discutir soluções. Hoje, a diplomacia da vacina é usada para ampliar zonas de influência, visando outros objetivos, entre eles acordos em áreas tecnológicas, como o 5G.
“Chineses e russos começaram a aplicar a diplomacia da vacina antes que os americanos porque tanto Donald Trump como Biden priorizaram o público interno. Em nossa região, isso causou problemas sérios a países como Paraguai e Honduras, que reconhecem a independência de Taiwan e são sócios dos EUA, mas até agora não receberam nada dos americanos”, afirma Bernabé Malacalza, pesquisador do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas da Argentina.
Em Honduras, a pressão política para tentar uma aproximação com a China é grande. Prefeitos hondurenhos têm viajado ao vizinho El Salvador para receber doações de vacinas chinesas, conseguidas pelo governo do presidente Nayib Bukele, em tensão cada vez maior com a Casa Branca.
“A China está fornecendo imunizantes a toda a região. A vacina tornou-se uma arma política potente”, enfatiza Malacalza. Com informações de O Globo.
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