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| Mais de 50 carros sem motorista já trafegam nos Estados Unidos. Você andaria em um?

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Carro autônomo do Google já rodou nas ruas de Mountain View (EUA). (Crédito: Reprodução)

Você andaria em um carro sem motorista? Os veículos autônomos, já são mais de 50 trafegando nos Estados Unidos, prometem causar uma mudança no mercado de transporte comparável ao lançamento do Ford T, no começo do século passado. Participam dessa corrida tanto montadoras, como Nissan e Tesla Motors, quanto empresas de tecnologia, como Google e Uber. A expectativa é que esses carros comecem a chegar ao mercado em 2020.

O Uber ficou bem conhecido pela polêmica que causou com governos e taxistas ao permitir contratar motoristas particulares por meio de um aplicativo. Um protótipo da empresa já foi visto nas ruas de Pittsburgh (EUA), perto de seu Centro de Tecnologias Avançadas. Uma porta-voz do Uber disse ao jornal Pittsburgh Business Times que ainda não se trata de um carro autônomo.

O Google, que começou seu projeto há mais de cinco anos, colocou um modelo para rodar nas ruas de Mountain View (EUA), onde está a sua sede, para ver como ele se comporta em situações reais de trânsito. Por enquanto, uma pessoa pode assumir volante e pedais, em caso de emergência, mas o carro já não precisa deles para funcionar.

O impacto econômico pode ser imenso. Brian Johnson, analista do Banco Barclays, divulgou um relatório estimando que as vendas de carros nos EUA podem cair 40% nos próximos 25 anos por causa dos veículos sem motorista. O Uber aposta em um cenário em que as pessoas compartilhariam uma frota de veículos autônomos de uso coletivo. Sem ter de pagar o motorista, o valor da corrida do Uber poderia cair mais de 75%.

Existem previsões ainda mais agressivas. Um estudo anterior, da PricewaterhouseCoopers, apontou que o carro autônomo reduziria a frota americana em 90%, para 2,4 milhões de unidades. O empreendedor Zack Kanter estimou o corte de 10 milhões de empregos nos EUA, somando montadoras, fabricantes de autopeças, seguradoras, oficinas mecânicas e motoristas profissionais, entre outros.

O impacto econômico negativo seria compensado por efeitos positivos, como a redução dos acidentes de trânsito, o fim dos congestionamentos e a liberação das áreas hoje reservadas para estacionamento. Elon Musk, presidente da Tesla, chegou a sugerir que, com a chegada dos veículos autônomos, a atividade de dirigir carros fosse proibida, por ser perigosa demais.

Mas é claro que, se a mudança acontecer, não será de uma vez. Primeiro, os esses automóveis precisam ganhar o sinal verde das autoridades e se provar comercialmente viáveis. O cenário de uso coletivo levaria algum tempo. Inicialmente, as famílias deixariam de ter vários veículos para compartilhar um único modelo autônomo. Só depois abririam mão da posse, partindo para o modelo de carro como serviço.  (Renato Cruz/AE)

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