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Brasil Mais de 50 países mantém restrições à importação da carne brasileira

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País registrou envio de mais de 70 toneladas da proteína aos Estados Unidos em janeiro e fevereiro, um aumento de 446% em relação a mesmo período de 2021. (Foto: Agência Brasil)

Mais de três meses após a PF (Polícia Federal) iniciar a Operação Carne Fraca, ao menos 51 países, além da UE (União Europeia, mantêm restrições à importação da carne brasileira, conforme um alevantamento feito pelo Ministério da Agricultura. Desse grupo, nove países bloqueiam totalmente a compra do produto oriundo do País.

A lista também mostra que 42 países e a UE ainda restringem a entrada dos produtos brasileiros. São casos de suspensão parcial na compra de carnes e reforço nas inspeções antes de as mercadorias serem vendidas para os consumidores. Já outros 20 países aceitaram as medidas anunciadas pelo Brasil e abriram os seus mercados.

Com a credibilidade arranhada por sucessivas crises desde o início da operação que investiga supostas fraudes na liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos, o principal foco dos problemas está no mercado de carne bovina. Empresas exportadoras e pecuaristas tentam reconquistar a confiança dos compradores internacionais.

Enquanto isso, as metas de expansão da participação brasileira no setor ficam em suspenso. O Brasil pretendia chegar a 10% de participação mundial do mercado de carnes (hoje, esse número é 7%) e buscava alcançar e ampliar a presença principalmente nos mercados de Japão, México e Coreia do Sul. Agora, o país administra crises, trabalha para reconstruir sua credibilidade e não perder compradores.

Veto

O reflexo da crise nas exportações de carnes bovinas pode ser visto nos dados da balança comercial. De janeiro e maio, o Brasil exportou 1,75 bilhão de dólares do produto congelado, fresco ou refrigerado – queda de 4,6% ante o mesmo período do ano passado. O recuo é ainda maior no volume total exportado: 10% a menos que em 2016, no acumulado do ano.

Mercados importantes como Rússia e China reforçaram as inspeções de produtos brasileiros. E, após passar a checar todos os carregamentos saídos do Brasil, os Estados Unidos identificaram “inconformidades sanitárias” em 11% dos produtos, segundo a Secretaria de Agricultura norte-americana, o que levou à suspensão da compra da carne in natura brasileira.

Para tentar convencer os norte-americanos a voltarem a comprar carne fresca brasileira, o Ministério da Agricultura, Blairo Maggi, enviou às autoridades dos Estados Unidos uma nota técnica com informações sobre o sistema de inspeção brasileiro e relatando as medidas adotadas para resolver o problema apontado pelos compradores.

Maggi também disse que o Brasil vetou a entrada de lotes de carne dos Estados Unidos. De 32 contêineres de carne fresca e miúdos, 20 foram devolvidos por motivos de rotulagem, rastreabilidade e certificação, explicou. O embargo seria anterior à suspensão da compra pelos americanos.

“Isso significa que 62,5% do exportado pelos Estados Unidos para o Brasil tiveram que retornar àquele país. Vejam que, antes do comércio, vêm a segurança e proteção dos consumidores em ambos os países”, afirmou, acrescentando que os dois mercados precisam aprender a lidar entre si.

Uma missão europeia também mostrou preocupação com o controle sanitário no Brasil. Em relatório, o Ministério da Agricultura informa que análises em frigoríficos não encontraram em aves os dois tipos de salmonelas que podem afetar a saúde pública.

O documento aponta o reforço no controle sanitário e que em até dois meses serão contratados emergencialmente 300 veterinários para atuação com auditores fiscais federais agropecuários nos frigoríficos. A pasta também pediu ao Planejamento um concurso de mil fiscais para suprir a demanda dos próximos dez anos.

A crise do setor aumentou após a delação dos executivos da JBS/Friboi, maior exportadora de carne bovina do Brasil. A empresa reduziu os abates e, sem a possibilidade de os animais serem comprados na mesma proporção por outros frigoríficos, os pecuaristas viram os preços do boi desabarem. “É o pior momento para a pecuária”, disse o vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira, Pedro Camargo Neto.

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