Sábado, 09 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 5 de fevereiro de 2017
Ex-executivos da empreiteira Andrade Gutierrez relataram, em delação premiada à Operação Lava-Jato, que a empresa mantinha uma espécie de “tesouraria interna” dedicada ao pagamentos de propina e caixa dois para agentes públicos. Funcionários da empresa apontaram a existência do esquema à força-tarefa do Rio e Curitiba (PR) em depoimentos recentes.
Segundo um ex-executivo do grupo mineiro que passou a colaborar com a Justiça, a “tesouraria” contava com dinheiro em espécie que era operado pelo doleiro Adir Assad, preso desde agosto do ano passado. A maior parte do dinheiro foi gerada, segundo os relatos às autoridades, por meio de contratos fictícios estabelecidos entre a Andrade Gutierrez e empresas de fachada de Assad.
Não é a primeira vez que uma empreiteira investigada na Lava-Jato revela ter um esquema profissional de pagamento de propina e caixa dois dentro da empresa. O setor de operações estruturadas da Odebrecht, área dedicada ao pagamento de recursos ilícitos do grupo baiano, foi descoberto por investigadores e, posteriormente, seu funcionamento foi detalhado na delação premiada assinada pela empresa em dezembro do ano passado. A Odebrecht pagou 2,6 bilhões de reais em suborno no Brasil e em 12 países.
Um funcionário da Andrade era o responsável por cuidar dessa área. No relato aos procuradores, o ex-executivo do grupo disse que os diretores da empresa negociavam a propina só depois de entrar em contato com a tesouraria para solicitar o dinheiro ilícito que seria repassado para agentes públicos.
Investigações do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro mostraram que companhias usaram recibos falsos para abastecer o caixa dois da Andrade Gutierrez com mais de 176 milhões reais. Segundo envolvidos nas investigações, ao menos esse montante circulou em dinheiro vivo na tesouraria. (Folhapress)
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