Entre os pobres foram registrados 2,7 milhões de indigentes (Foto: Banco de Dados)
Nesta quarta-feira, vão se completar 30 anos da decisão histórica: nove ex-comandantes militares argentinos que governaram o país entre 1976 e 1982 foram condenados. A 9 de dezembro de 1985, o ex-presidente Jorge Videla e o almirante Emilio Massela tiveram a pena mais rigorosa: a prisão perpétua. Os dois foram também destituídos do grau militar e inabilitados para quaisquer atividades.
Pela primeira vez na América Latina, ex-chefes militares submeteram-se a julgamento por violações dos direitos humanos, durante a luta contra a guerrilha de esquerda.
Causou surpresa a absolvição do ex-presidente Leopoldo Galtieri. Outros oficiais ainda seriam julgados.
A partir de 1976, as denúncias sobre violações de direitos humanos eram abafadas no país. As mães da Praça de Mayo, que gritavam nas ruas por seus filhos, foram chamadas de “Las Locas”. O clamor começou a ter eco em setembro de 1984, quando a Comissão Nacional dos Desaparecidos, presidida pelo escritor Ernesto Sábato, realizou investigações e apurou que pelo menos 10 mil pessoas não retornaram a suas casas durante o regime militar.
Em abril de 1985, começou a fase pública do julgamento das juntas militares. Sobreviventes dos campos de concentração, militares e policiais arrependidos narraram o extermínio maciço de presos, assassinatos, torturas, pilhagem e roubo de bens das vítimas, além do estupro de mulheres prisioneiras.