Sexta-feira, 01 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 16 de agosto de 2015
Sob um cenário de crise econômica e política, a presidenta Dilma Rousseff enfrenta neste domingo (16) mais uma rodada de protestos. Empenhados em afastá-la do poder, movimentos contrários ao governo vão tomar as ruas de todo o País, em manifestações de dimensões ainda desconhecidas. O MBL (Movimento Brasil Livre) estima atos em pelo menos 144 municípios, enquanto o Vem pra Rua lista 257 cidades.
A mobilização inclui também protestos organizados por brasileiros em outros países. Há previsão de atos em ao menos 13 localidades fora do Brasil, como Berlim (Alemanha), Dublin (Irlanda), Washington e Nova York (EUA). No País, pelo menos 21 capitais têm manifestações marcadas, como São Paulo, Rio, Porto Alegre, Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Curitiba (PR) e Goiânia (GO). Na Capital gaúcha, mais de 66 mil pessoas haviam confirmado presença até esse sábado (15) no evento convocado pelo Facebook.
À frente da organização, além do MBL e do Vem Pra Rua, está o grupo Revoltados On Line. Conforme os organizadores, o objetivo das manifestações é “exigir o fim do governo petista e repudiar seu ajuste fiscal, que passa a conta do governo para o cidadão brasileiro”.
Sem previsão oficial de agenda para o período, Dilma estará em Brasília e deve acompanhar os atos do Palácio da Alvorada. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também estará na capital federal logo cedo e observará todos os movimentos dos manifestantes. Cardozo fará o monitoramento pelo Centro de Comando e Controle, que tem comunicação integrada com as polícias estaduais, além de acompanhamento em tempo real dos protestos e acesso a câmeras de segurança. No final do dia, o ministro deve se reunir com a presidenta.
Os titulares da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e da Comunicação Social, Edinho Silva, também estarão na capital federal, mas sem compromissos oficiais. Não há previsão de coletiva de imprensa ao fim dos atos.
De acordo com a mais recente pesquisa Datafolha, a reprovação ao governo Dilma chega a 71%. Trata-se da pior avaliação em todo o histórico desse tipo de levantamento, superando os 68% de “ruim” e “péssimo” registrados pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello em setembro de 1992, às vésperas de sua renúncia. Completando o estudo, 20% julgam a administração da petista “regular” e 7% acham seu governo “ótimo” ou “bom”.
Oposição endossa
Apesar do teor não partidário dos protestos, o PSDB, pela primeira vez, se posicionou oficialmente a favor dos atos e convocou militantes para irem às ruas. Em inserções de TV veiculadas ao longo da semana, a sigla informava sobre os eventos e difundia a mensagem: “O PSDB apoia as manifestações de 16 de agosto”. Em protestos anteriores, apesar da presença de algumas lideranças, a sigla manteve certa distância dos atos.
“As manifestações são a demonstração democrática, legítima e espontânea da indignação que os brasileiros sentem com a corrupção, as mentiras, o desemprego, a inflação”, disse o senador tucano Aécio Neves (MG), derrotado por Dilma na última eleição presidencial.
Brigada Militar garante a segurança em Porto Alegre
A Brigada Militar informou que acompanhará a manifestação na Capital gaúcha com 400 policiais. Conforme nota emitida pela corporação, a intenção é “garantir o direito de expressão pacífico e manter a ordem, preservando a segurança da população, do patrimônio público e privado e também dos manifestantes, para impedir possíveis impactos no cotidiano da cidade”.
A concentração ocorrerá no Parque Moinhos de Vento, com início às 14h, passando então por avenida Goethe, rua Silva Só, e pelas avenidas Ipiranga, Aureliano de Figueiredo Pinto, Venâncio Aires e João Pessoa. A dispersão será no Parque Farroupilha.
Abin monitora protesto no Rio
Agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) integrados ao esquema de segurança dos Jogos Olímpicos do próximo ano vão monitorar o protesto que ocorrerá na praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio. O ato está marcado para as 11h. A mobilização alterou o horário de uma competição de ciclismo – classificada como evento-teste pelo comitê olímpico Rio 2016 – organizada no mesmo local, que teve a largada antecipada das 9h30min para as 8h30min.
O superintendente da Abin no Rio, Frank Márcio de Oliveira, justificou a razão de ter agentes no meio da manifestação: “O protesto não é uma ameaça. Mas pode haver algum ato de hostilidade contra o evente-teste. Por isso, o uso de agentes de campo. Prefiro chamá-los de ‘agentes espectadores’. O termo ‘infiltrado’ é pejorativo”, argumentou. Esse tipo de trabalho é amparado por lei. No entanto, os agentes devem somente observar, coletar informações e transmiti-las.
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