Segunda-feira, 25 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 30 de outubro de 2015
O presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, entregou ao juiz Sérgio Moro um “autointerrogatório” onde nega ter qualquer gerência sobre contratos suspeitos e disse que o MPF (Ministério Público Federal) distorceu os fatos para prendê-lo. O documento foi protocolado na Justiça Federal antes do seu primeiro interrogatório ao juiz, que ocorreu na sexta-feira. Nele, ele tenta se distanciar totalmente do comando da empresa.
Marcelo disse que a Odebrecht tem contas no exterior, mas disse desconhecer as contas suíças apontadas pelo MPF como fonte de pagamento de propina da empresa a funcionários da Petrobras. Ele disse que as anotações pessoais encontradas em seu celular usadas pela Polícia Federal para demonstrar o suposto conhecimento dele de pagamentos de propina no exterior foram “mal interpretadas”.
“Fica evidente a distorção dos fatos com o objetivo malicioso de atribuir a mim uma intenção de fuga completamente infundada. Trata-se de uma iniciativa não apenas ilegal, como cruel, apenas para me sujeitar a pedido de prisão preventiva”, sustentou.
Marcelo, entretanto, não explicou as movimentações financeiras mapeadas pelo Ministério Público suíço que teriam sido usadas para lavar recursos desviados da estatal. O destino, quase sempre, eram contas controladas por ex-diretores da Petrobras. Ele limitou-se a dizer que não tinha conhecimento. Marcelo tentou explicar orientações supostamente dadas a funcionários assim que os primeiros indícios de corrupção vieram a público.
As notas para os investigadores seria uma maneira dele tentar atrapalhar as investigações. “A alegação de que eu poderia ter interesse em interferir nas investigações não é verdadeira; a interpretação da anotação é propositadamente deturpada”, defende-se o executivo.
Em nota, a defesa do empresário disse que “Marcelo refutou com firmeza as acusações que são feitas a ele na peça acusatória” e que a empresa segue confiante não só na sua absolvição neste processo penal, como na revogação da prisão.
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