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Brasil “Maus brasileiros usam números mentirosos contra a Amazônia”, diz Bolsonaro

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Bolsonaro chegará com a intenção de neutralizar a crítica internacional motivada pelas queimadas na Amazônia, mas reafirmando o direito do Brasil de desenvolver a floresta. (Foto: Marcos Corrêa/PR)

O presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou nesta segunda-feira (05) que “maus brasileiros” fazem campanha com “números mentirosos” contra a Amazônia. A declaração foi dada no evento de inauguração da primeira etapa de uma usina solar flutuante, instalada no reservatório da cidade de Sobradinho (BA).

“A Amazônia é um potencial incalculável. Por isso, alguns maus brasileiros ousam fazer campanha com números mentirosos contra a nossa Amazônia. E nós temos que vencer isso e mostrar para o mundo, primeiro, que o governo mudou e, depois, que nós temos responsabilidade para mantê-la nossa, sem abrir mão de explorá-la de forma sustentável”, disse Bolsonaro.

Nos últimos dias, Bolsonaro tem colocado em xeque dados sobre o desmatamento da Amazônia e dado declarações polêmicas sobre a preservação do bioma. No dia 19 de julho, em um café da manhã com jornalistas estrangeiros em Brasília, o presidente da República afirmou que iria conversar com o agora ex-diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) Ricardo Galvão por acreditar que os dados divulgados pelo órgão não condiziam com a realidade e prejudicavam o nome do Brasil no exterior.

“Com toda a devastação de que vocês nos acusam de estar fazendo e ter feito no passado, a Amazônia já teria se extinguido”, disse o presidente. Galvão também foi acusado por Bolsonaro de estar “a serviço de alguma ONG” após a divulgação de dados do instituto que mostraram um aumento de 88% no desmatamento da Amazônia em junho em relação ao mesmo mês de 2018. O presidente afirmou que os números eram “mentirosos”.

O ex-diretor do Inpe reagiu às falas de Bolsonaro, o que culminou na sua demissão. Na sexta-feira (02), Galvão anunciou a sua saída após reunião com o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes. Galvão afirmou que as suas declarações rebatendo as críticas de Bolsonaro aos dados do Inpe sobre desmatamento criaram “constrangimentos” que tornaram “insustentável” a sua permanência à frente do instituto, dirigido por ele desde 2016.

Ministra da Agricultura

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou não acreditar em “sustentabilidade e preservação ambiental com miséria” e defendeu que produtores rurais sejam recompensados pelas áreas que conservarem.

“Onde tem miséria você não vai preservar”, disse em entrevista. Ela reconheceu que o Brasil tem uma imagem ruim no exterior sobre preservação ambiental e argumentou que, muitas vezes, o setor agrícola europeu usa isso como justificativa para proteger os seus produtores rurais de mercadorias brasileiras.

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