Sábado, 05 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 11 de janeiro de 2026
Se a eleição deste ano caminhar para uma nova rodada de polarização, a tendência é que o MDB adote uma posição de neutralidade, afirma o presidente do partido, deputado federal Baleia Rossi (SP), em entrevista ao Estadão. Segundo ele, a equação muda se surgir uma candidatura de perfil mais ao centro, como a dos governadores Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), ambos do PSD, cenário que poderia levar o MDB a discutir um apoio formal.
Baleia Rossi reconhece que, qualquer que seja a decisão da convenção sobre o rumo do partido, ela certamente não será unânime. Mas o dirigente garante que posições divergentes serão respeitadas.
“Independentemente da decisão do MDB, tanto a ala que pode apoiar o Lula quanto a que pode apoiar o Flávio (Bolsonaro), isso vai ser respeitado como uma posição individual, vai ser algo permitido. Nós não temos uma imposição, a decisão não é de cima para baixo.”
Em uma conversa de quase uma hora, Baleia disse ainda acreditar que Tarcísio de Freitas (Republicanos) será candidato à reeleição em São Paulo. Sobre o discurso de lideranças que apontam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como um adversário mais fácil de ser desbancado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o dirigente afirma preferir não subestimar nenhuma candidatura. Ele lembra que, quando Lula recuperou a elegibilidade, aliados do então presidente Jair Bolsonaro (PL) comemoraram, avaliando que ele seria o melhor oponente.
Questionado sobre um eventual apoio do MDB a Flávio, Baleia não fechou a porta e citou que há lideranças na sigla, como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, que já declararam apoio ao filho de Bolsonaro. Ao mesmo tempo, indicou que o partido mantém maior afinidade com outros nomes.
Veja os principais trechos da entrevista:
Lula cobrou que ministros escolham um lado na eleição. Como o senhor avalia essa cobrança?
A posição do presidente é absolutamente natural. Ele tem a expectativa de que os ministros que estão servindo ao seu governo o apoiem. Desde o primeiro momento, o MDB, que teve a Simone Tebet como candidata à Presidência, decidiu ter uma relação colaborativa com o governo federal. Nós sugerimos três nomes para compor o governo e estamos votando aquelas agendas que acreditamos que são compatíveis com os posicionamentos do MDB. Só que o MDB é diferente dos outros partidos, porque não tem dono. É um partido democrático e exerce a democracia interna em todas as grandes decisões. Portanto, quem vai definir 2026 não é o presidente Baleia, não são os ministros, prefeitos, governadores, deputados ou senadores, mas a nossa convenção. O partido tem diferenças regionais. Sabidamente, o Nordeste é mais pró-governo. Metade do Norte também. Centro-Oeste, Sul e Sudeste são mais contra uma aliança com o PT. Agora, essas diferenças vão ser discutidas.
Tem algum problema os ministros estarem no projeto do Lula e o partido eventualmente estar em outro projeto? A ministra Simone, por exemplo, declarou apoio ao Lula.
Se você conversar com o prefeito Ricardo Nunes, prefeito da maior cidade da América Latina, ele não quer aliança com o governo. O mesmo vale para Sebastião Melo, prefeito de Porto Alegre, Daniel Vilela, vice-governador do Caiado. Se você perguntar para os três ministros, é claro que, naturalmente, eles querem aliança com o governo. Essa diferença de pensamento sempre foi algo característico do MDB e que nós conseguimos respeitar. A Simone Tebet foi candidata à Presidência da República em 2022 e os nossos líderes do Nordeste não a apoiaram, apoiaram o presidente Lula. E não houve nenhuma retaliação, porque o partido é democrático e respeita as diferenças regionais. Então, quando essas lideranças, de forma legítima e num ato político, declaram apoio a uma candidatura, é algo individual. Independentemente da decisão do MDB, tanto a ala que pode apoiar o Lula quanto a que pode apoiar o Flávio (Bolsonaro), isso vai ser respeitado como uma posição individual, vai ser algo permitido. Nós não temos uma imposição, a decisão não é de cima para baixo, não há perseguição ideológica. A gente sabe que nenhuma decisão vai ser unânime.
Lula quer que o MDB adote neutralidade na próxima eleição. Vai ser possível?
A nossa convenção nacional pode ter até quatro possibilidades. Candidatura própria, apoio ao presidente, apoio a uma candidatura mais à direita ou, porventura, apoio a uma candidatura que possa surgir dentro do centro. Essa decisão realmente não depende muito do presidente do partido, porque o MDB não tem o histórico de dar cavalo de pau, de mudar de acordo com a vontade de uma liderança. A decisão vai ser tomada dentro do respeito à maioria. E existe até essa possibilidade de o partido nacionalmente não apoiar nenhuma candidatura, para que cada Estado possa ter um posicionamento mais condizente com a sua realidade. Com informações do portal Estadão.
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