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Geral Médico que foi preso após estuprar pacientes e filmar crimes em Santa Catarina teve registro cassado

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O médico Neandro Schiefler, de 46 anos, foi preso em Praia Grande, no litoral de São Paulo. (Foto: Reprodução)

O médico Neandro Schiefler, de 46 anos, foi preso em Praia Grande, no litoral de São Paulo, seis meses após ser condenado por estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude contra pacientes em Itajaí (SC). Ele passou a ser investigado após uma denúncia da esposa e, em 2023, teve o registro cassado pelo Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina.

Neandro foi abordado pela Guarda Civil Municipal (GCM) no bairro Ocian, no último sábado (2). Durante a pesquisa pessoal, ele foi identificado como procurado da Justiça de Santa Catarina e acabou sendo preso.

Em fevereiro de 2019, Neandro foi preso pela primeira vez durante a operação ‘Jaleco Branco’, realizada pela Polícia Civil de Santa Catarina. Ele atuava como clínico geral em Itajaí quando foi surpreendido pelo mandado de prisão temporária.

A investigação chegou até a polícia após a esposa dele enviar um CD com vídeos dos abusos. Na época, o delegado responsável pelo caso, Alexandre de Oliveira, disse que as filmagens eram feitas pelo próprio médico, sendo a maioria com as vítimas dopadas.

Os crimes teriam ocorrido desde 2017 dentro das unidades de saúde onde ele trabalhava. Na época, a polícia informou que Neandro confirmou ser a pessoa que aparece em 14 das 16 filmagens. “Alegou ter feito os vídeos para arquivo pessoal e se proteger de problemas futuros no hospital”, afirmou o delegado.

Intervenção do CRM

Em 2019 e 2020, o Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina determinou a interdição cautelar do registro profissional de Neandro, que se tornou alvo de um processo ético profissional.

No entanto, o CRM cassou o registro permanentemente após julgamento do Tribunal Superior de Ética Médica do Conselho Federal de Medicina. A decisão foi publicada em junho de 2023, levando em consideração uma série de artigos do conselho que Neandro infringiu. Confira quais:

– Art. 22. Deixar de obter consentimento do paciente ou de seu representante legal após esclarecê-lo sobre o procedimento a ser realizado, salvo em caso de risco iminente de morte;

– Art. 23. Tratar o ser humano sem civilidade ou consideração, desrespeitar sua dignidade ou discriminá-lo de qualquer forma ou sob qualquer pretexto;

– Art. 24. Deixar de garantir ao paciente o exercício do direito de decidir livremente sobre sua pessoa ou seu bem-estar, bem como exercer sua autoridade para limitá-lo;

– Art. 30. Usar da profissão para corromper costumes, cometer ou favorecer crime;

– Art. 32. Deixar de usar todos os meios disponíveis de promoção de saúde e de prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças, cientificamente reconhecidos e a seu alcance, em favor do paciente;

– Art. 38. Desrespeitar o pudor de qualquer pessoa sob seus cuidados profissionais;

– Art. 40. Aproveitar-se de situações decorrentes da relação médico-paciente para obter vantagem física, emocional, financeira ou de qualquer outra natureza.

Condenação

Em outubro de 2025, Neandro foi condenado a 16 anos e 4 meses de prisão por estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude pela Segunda Vara Criminal da Comarca de Itajaí, do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina.

De acordo com o mandado de prisão, Justiça entendeu que o médico praticou violação sexual por três vezes, além de estupro de vulnerável contra pessoas que, por enfermidade ou deficiência mental, não podiam oferecer resistência.

Segundo a decisão da Justiça, Neandro se aproveitou da posição de médico para agir com abuso de poder ou violação de dever inerente a profissão. O mandado de prisão tinha validade até 2045.

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