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Futebol Médicos criticam decisão da Fifa de proibir garrafas reutilizáveis em jogos da Copa de 2026 em meio a onda de calor

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A regra representa uma mudança em relação à orientação divulgada pela própria entidade semanas antes. (Foto: Divulgação/Fifa)

A Fifa decidiu proibir a entrada de garrafas reutilizáveis de água em todos os estádios da Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, no México e no Canadá. A mudança, informada a torcedores por e-mail após uma atualização no Código de Conduta dos estádios, ocorre em meio à preocupação de médicos e cientistas com o calor previsto para o torneio, que começa em 11 de junho.

A regra representa uma mudança em relação à orientação divulgada pela própria entidade semanas antes. No documento anterior, a Fifa informava que garrafas plásticas vazias, transparentes e reutilizáveis, com capacidade de até 1 litro, poderiam ser levadas aos estádios.

“Para que não restem dúvidas, garrafas de plástico vazias, transparentes e reutilizáveis, com capacidade de até 1 litro, podem ser levadas para o Estádio”, dizia o documento anterior.

Agora, a entidade afirma que nenhum tipo de garrafa, copo, pote, lata ou recipiente fechado poderá entrar nos locais das partidas. A Fifa argumenta que a medida busca evitar que objetos sejam arremessados e causem ferimentos a jogadores e torcedores.

Na mensagem enviada a detentores de ingressos, a entidade escreveu:

“Após atualizações recentes no Código de Conduta dos Estádios, convidamos você a revisar a lista revisada de regras sobre itens proibidos. Em particular, observe que garrafas de água reutilizáveis não são mais permitidas nos estádios da Copa do Mundo da Fifa 2026, conforme indicado na cláusula 3.1.11 do documento mencionado acima”.

A cláusula 3.1 estabelece que estão proibidos “garrafas, copos, potes, latas ou qualquer outra forma de recipiente fechado ou com tampa que possa ser arremessado ou causar ferimentos, bem como outros objetos feitos de vidro ou qualquer outro material quebrável, embalagens especialmente rígidas ou caixas térmicas rígidas”.

O texto acrescenta:

“Para que não restem dúvidas, garrafas de água reutilizáveis não poderão ser levadas para o Estádio”.

A decisão gerou reação de torcedores e entidades de apoio a fãs de futebol. Em estádios dos Estados Unidos, a expectativa é que uma garrafa de água custe entre US$ 4 e US$ 7 (de R$ 20 a R$ 35). No Canadá, em partidas em Toronto e Vancouver, o preço pode chegar a US$ 7,50 (cerca de R$ 40). Na Copa do Mundo de Clubes realizada no ano passado nos Estados Unidos, a Fifa cobrou entre US$ 4 e US$ 6 por uma garrafa de água.

Médicos alertam que a restrição pode aumentar o risco de problemas de saúde em torcedores expostos ao calor por longos períodos. Em algumas cidades do sul dos Estados Unidos e do norte do México, as temperaturas no período da Copa costumam ficar entre 30°C e 35°C durante o dia, podendo chegar a 40°C. O México, inclusive, chegou a cogitar antecipar as férias escolares em mais de um mês devido à Copa e às ondas de calor que o país tem enfrentado, mas voltou atrás diante da repercussão negativa.

Há algumas semanas, um grupo de 20 cientistas especialistas em saúde, clima e desempenho esportivo enviou uma carta aberta à Fifa alertando para os riscos à saúde dos jogadores por conta da onda de calor prevista para o Mundial. Eles pedem que as pausas para hidratação nos jogos sejam mais longas e que o protocolo para adiamento de partidas em condições climáticas extremas seja mais claro.

O médico Malcolm Mistry, professor assistente de Clima e Saúde da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, que escreveu à Fifa alertando sobre os impactos do calor na Copa, criticou a mudança.

“A notícia sobre as garrafas de água é muito preocupante. O calor e a desidratação podem fazer os espectadores se sentirem tontos e prestes a desmaiar, levando à exaustão pelo calor. Se os níveis de água das pessoas não forem repostos, estamos falando de uma evolução da exaustão pelo calor para a insolação, que pode levar a mortes. Espectadores no meio do estádio assistindo a uma partida não vão sair e entrar numa fila por água em um quiosque ou bebedouro. Eles ficarão em seus assentos por cerca de três horas, no calor. A Fifa está assumindo um grande risco” disse ao The Sun, do Reino Unido.

Oliver Gibson, da Universidade Brunel de Londres, também afirmou que a proibição pode ampliar riscos.

“Impedir que torcedores usem garrafas reutilizáveis aumenta o risco de doenças relacionadas ao calor. Calor e desidratação aumentam o trabalho do coração, e é plausível que isso possa levar a um evento cardíaco. A regra das garrafas de água parece desnecessária, especialmente considerando que pessoas com problemas de saúde preexistentes ou jovens e idosos teriam uma necessidade real de beber livremente, sem pagar custos altos e esperar mais tempo para comprar água”, afirmou. Com informações do portal O Globo.

 

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