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Saúde Médicos dos Estados Unidos começam a cobrar taxas para responder pacientes por e-mail

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A abertura de novas faculdades de medicina no Brasil estava proibida desde abril de 2018. (Foto: Freepik)

A telemedicina e as comunicações por meios eletrônicos entre médico e paciente explodiram nos últimos anos, alimentadas pela pandemia do novo coronavírus e pelo relaxamento das regras de cobrança para esses tipos de atendimento, nos Estados Unidos. Nesse cenário, um número crescente de organizações de saúde, incluindo alguns dos principais sistemas hospitalares do país, como a Cleveland Clinic, consultórios médicos e outros grupos, começaram a cobrar taxas por respostas mais elaboradas a dúvidas de pacientes enviadas por e-mail.

A Cleveland Clinic disse que seu volume de e-mails dobrou desde 2019. Mas acrescentou que, desde que iniciou o programa de cobrança para esse tipo de demanda, em novembro do ano passada, as taxas por respostas foram cobradas para menos de 1% dos cerca de 110 mil e-mails semanais recebidos.

“Cobrar o seguro de saúde de um paciente apoia a tomada de decisão necessária e o compromisso de tempo de nossos médicos e outros provedores profissionais avançados”, disse Angela Smith, porta-voz da Cleveland Clinic.

Mas um novo estudo mostra que as taxas, que podem variar de US$ 3 a US$ 100, podem desencorajar pelo menos uma pequena porcentagem de pacientes a obter aconselhamento médico por e-mail. Alguns médicos dizem que estão no meio do debate sobre as taxas, e outros levantaram preocupações sobre os efeitos que as cobranças podem ter sobre a equidade na saúde e o acesso aos cuidados.

A médica Eve Rittenberg, internista em saúde da mulher no Brigham and Women’s Hospital em Boston, examinou os efeitos da correspondência eletrônica entre médicos e pacientes. O estudo descobriu que as médicas mulheres carregavam uma carga maior em relação a esse tipo de comunicação.

“O volume de mensagens combinado com a expectativa de resposta rápida é muito estressante”, disse Rittenberg.

Ela se lembrou de um dia em que levou sua filha adolescente ao médico, mas se distraiu respondendo às mensagens dos pacientes em seu telefone. Recentemente, ela reduziu sua agenda na clínica – e teve um corte salarial proporcional – para liberar algumas horas fora das visitas ao consultório para lidar com outras tarefas, como mensagens de pacientes.

Os Centros de Serviços Medicare e Medicaid dos EUA introduziram os códigos de cobrança do Medicare em 2019, que permitiam que os provedores buscassem reembolso por escrever mensagens aos pacientes por meio de portais seguros. A pandemia levou a agência a ampliar a cobertura para telemedicina e os hospitais expandiram significativamente o uso dessa ferramenta.

As regras federais estabelecem que uma mensagem faturável deve ser uma resposta a uma dúvida do paciente que requer pelo menos cinco minutos de dedicação, tornando-a efetivamente uma consulta virtual. As seguradoras privadas seguiram amplamente o exemplo do Medicare, reembolsando os atendimentos por e-mail, com a possibilidade de cobrar um co-pagamento dos segurados. Para vários sistemas hospitalares no país, o aumento nas taxas de e-mail abriu um novo fluxo de receita.

David Merritt, vice-presidente sênior de política e defesa da Blue Cross Blue Shield, seguradora de saúde americana, expressou preocupação de que a capacidade de “cobrar pacientes pelo que deveria ser um acompanhamento rotineiro por e-mail pode ser facilmente vista e abusada como um novo fluxo de receita”.

De acordo com a Cleveland Clinic, os pacientes do Medicaid não são cobrados. Os beneficiários do Medicare sem um plano de saúde suplementar realizam um copagamento entre US$ 3 e US$ 8. A cobrança máxima da clínica, atingindo aqueles com franquias altas em planos de seguro privados ou sem cobertura, seria de US$ 33 a US$ 50 por e-mail.

Mas não são todos os e-mails entre médico e paciente que têm taxas. As mensagens com demandas mais simples permanecem gratuitos, incluindo renovação de receitas, agendamento de consultas e atendimento de acompanhamento. As comunicações eletrônicas que poderiam gerar cobrança abordariam, por exemplo, mudanças de medicamentos, um novo problema ou sintoma médico ou mudanças em condições de saúde de longo prazo. Além disso, os provedores só podem cobrar o paciente uma vez por semana.

Quase uma dúzia dos maiores sistemas hospitalares do país disseram que cobraram taxas por alguns dos e-mails de seus funcionários aos pacientes ou iniciaram programas-piloto, em resposta a uma pesquisa informal do The New York Times. Além da Cleveland Clinic, isso inclui o Houston Methodist; NorthShore University HealthSystem, Lurie Children’s e Northwestern Medicine em Illinois; Universidade Estadual de Ohio; Lehigh Valley Health Network na Pensilvânia; Universidade de Saúde e Ciências de Oregon; Universidade da Califórnia, San Francisco e UC San Diego; e o Departamento de Assuntos de Veteranos dos Estados Unidos. As informações são do jornal The New York Times.

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