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Bruno Laux Médicos entre 24 e 34 anos são as principais vítimas de violência no exercício da profissão no RS

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Os profissionais mais atingidos pela violência no exercício da medicina no Estado não são os médicos mais experientes, mas justamente os que estão no início de carreira. (Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Um levantamento inédito do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) aponta que os profissionais mais atingidos pela violência no exercício da medicina no Estado não são os médicos mais experientes, mas justamente os que estão no início de carreira. Segundo o estudo, profissionais entre 24 e 34 anos – faixa que concentra recém-formados e médicos em residência – respondem pelo maior percentual de vítimas entre todas as idades analisadas.

O estudo, elaborado com base em dados da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP-RS), identificou 452 ocorrências policiais registradas entre 2019 e maio de 2026 envolvendo médicos como vítimas no Estado. Desse total, 170 casos (37,6%) envolveram profissionais dessa faixa etária, a maior fatia entre todos os grupos analisados. Entre os crimes mais registrados estão ameaça, lesão corporal, difamação e calúnia. O levantamento aponta ainda que, dentro dessa faixa etária, as médicas foram as principais vítimas.

Para o Cremers, os números indicam que a violência contra médicos não é um problema pontual, mas uma preocupação permanente, que exige ações coordenadas de segurança em todas as etapas da carreira – da residência ao exercício pleno da profissão. O conselho reforça, entretanto, que os dados podem não refletir toda a dimensão do problema, já que retratam apenas os casos formalizados em boletim de ocorrência, deixando de fora eventuais subnotificações.

Soma de fatores

Conselheira do Cremers e médica ginecologista e obstetra, Fernanda Ronchetti avalia que há, de fato, um aumento na violência contra médicos nos últimos anos, e associa parte do fenômeno às dificuldades estruturais enfrentadas pelo setor da Saúde.

A conselheira também chama atenção para o impacto da saúde mental da população no cenário de agressões, destacando que o agravamento de quadros de sofrimento psíquico, intensificado após a pandemia, tem se traduzido em menor tolerância e maior propensão a episódios de violência, muitas vezes direcionados a quem está na linha de frente do atendimento.

A situação é agravada pelo fato de que os médicos em início de carreira possuem menor bagagem no manejo do público. Segundo a conselheira, a ida direta desses recém-formados para as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) – sem passarem antes por uma residência médica – torna o problema ainda maior, deixando profissionais inexperientes expostos na porta de entrada da saúde.

Enfrentamento à violência

Os dados divulgados nesta semana são um recorte do levantamento completo, que será apresentado em sua íntegra no dia 29 de julho, durante o Fórum de Enfrentamento à Violência contra Médicos, promovido pelo Cremers. O encontro deve reunir médicos, representantes das forças de segurança e gestores públicos para discutir medidas concretas de prevenção, acolhimento às vítimas e fortalecimento da segurança nos serviços de saúde.

Segundo o conselho, o objetivo do fórum é construir diretrizes institucionais capazes de prevenir a violência contra médicos, ampliar a proteção aos profissionais e aprimorar os fluxos de acolhimento e de suporte jurídico às vítimas de agressão.

O debate ocorre em um momento em que a pauta ganhou atenção nacional com a entrada em vigor, em março deste ano, da Resolução nº 2.444/2025 do Conselho Federal de Medicina. A norma estabelece garantias de segurança para médicos em todas as unidades de saúde do país, públicas ou privadas, exigindo segurança presencial e contínua, além de controle de acesso, videomonitoramento em áreas comuns e protocolos de resposta rápida a episódios de violência.

A medida também obriga as instituições a oferecerem suporte psicológico e jurídico ao profissional vitimado, garantindo-lhe o direito de solicitar transferência de setor e impondo notificação compulsória ao Conselho Regional de Medicina, à polícia e ao Ministério Público. (Por Bruno Laux)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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