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Medo das perdas

Os grandes banqueiros querem que o governo federal continue gastando mais do que arrecada. Por isso, aliam-se na trincheira de parcela dos trabalhadores e de estudantes, contrários à contenção das despesas públicas. Se o projeto, já aprovado na Câmara dos Deputados, tiver a mesma aceitação no Senado, os donos das grandes instituições financeiras ficarão extremamente contrariados. Sem o aumento da dívida pública, que os governos rolam junto aos bancos, os lucros com juros vão baixar.

A QUANTAS ANDA
O Jurômetro registrava 358 bilhões e 130 milhões de reais às 23h de ontem. É o valor pago pelo governo federal para sustentar sua dívida desde 1º de janeiro deste ano. Faz com que os banqueiros deem tranquilas baforadas em charutos estrangeiros, rindo de tudo.

COM O PÉ NO FREIO
Os jornais publicaram a 19 de novembro de 2006: “O presidente Lula deverá propor aos novos governadores a criação de dispositivos legais para conter o crescimento acelerado das despesas do Judiciário e do Legislativo. Os chamados poderes autônomos, que incluem o Ministério Público.” Comprova que o governo do PT também se preocupava com gastos excessivos.

MAIS PRAZO
No pacotão que enviará à Assembleia, o governo do Estado buscará alguns tubos de oxigênio para respirar: um deles é a cláusula prevendo que o pagamento dos salários dos servidores públicos possa ocorrer até o 10º dia do mês seguinte.

CONDIÇÃO
O presidente Michel Temer convidou os governadores para uma conversa, terça-feira, no Palácio do Planalto. Para consumo externo, o assunto será o socorro aos estados falidos. Porém, negociará o apoio das bancadas federais à aprovação da reforma da Previdência Social. Sem essa aceitação, o cofre do Ministério da Fazenda continuará fechado.

QUESTÃO DE PERFIL
A saída do ministro Marcelo Calero era previsível. Assumiu contestado por setores da Cultura e saiu ontem torrado. Roberto Freire, que assumirá, começou a carreira política como deputado estadual de Pernambuco pelo MDB. Em 1989, concorreu à Presidência da República pelo PCB. Respeitado por intelectuais e artistas, tem notável capacidade de diálogo e conciliação.

PROMETEU E CUMPRE
Quem leu o discurso de posse da ministra Carmen Lúcia na presidência do Supremo Tribunal Federal, a 12 de setembro, não se surpreendeu com a visita, ontem, ao Presídio Central de Porto Alegre. Como anunciou, não fica restrita ao gabinete em Brasília.

ARTE DE INTERPRETAR
Em novembro de 1956, um dos sucessos de bilheteria nos cinemas de Porto Alegre foi Covil de Feras, produção de Hollywood. Na hipótese de refilmagem no Brasil, hoje, haveria unanimidade sobre a escolha do local e dos atores.

RÁPIDAS
* Sebastião Melo será secretário estadual do Planejamento, cargo que está vago.
* Lição da política: exercício do poder exige resistência.
* Manchete e ironia do jornal O Dia, do Rio de Janeiro, sobre a prisão de Sérgio Cabral: “De Paris para Bangu 8”
*Cartões corporativos não têm transparência, sob alegação de que as informações são sigilosas. Quem paga a conta?
* Ao terminar reunião que se estendeu sem interrupção por 10 horas, para tratar do pacotão, um secretário resumiu: “O melhor amigo do homem é o cachorro quente.”

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