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Brasil Menos de 4% dos líderes do Congresso Nacional acreditam que Michel Temer é inocente em denúncias de corrupção

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Quase 30% dos consultados acreditam que o presidente pode ser alvo de uma terceira ação. (Foto: Alan Santos/PR)

Embora tenha se livrado de duas denúncias criminais graças ao apoio do Congresso Nacional no ano passado, o presidente Michel Temer é visto como inocente por apenas 3,85% dos principais líderes do Legislativo federal. É o que revela a nova rodada da pesquisa “Painel do Poder”, realizada pelo site www.congressoemfoco.com.br junto aos parlamentares mais influentes da Câmara dos Deputados e do Senado.

De acordo com o levantamento, 28,85% dos consultados acreditam que os dados a serem colhidos com a quebra do sigilo bancário do chefe do Executivo – determinada pelo ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal) – podem embasar uma terceira ação contra ele no Parlamento.

Já para 11,54%, essa quebra do sigilo bancário não trará qualquer desdobramento porque, mesmo que seja culpado, o emedebista não colocaria dinheiro sujo em sua conta pessoal.

Na opinião de 15,38%, as investigações sobre o presidente contaminarão o ambiente político e aumentarão a instabilidade. Outros 32,69% responderam que é impossível prever o que acontecerá a partir da medida do Supremo. Ao todo, 7,69% disseram que não sabiam ou preferiram não responder.

“Decreto dos Portos”

Barroso autorizou e medida em um dos quatro inquéritos que têm o presidente como alvo. No caso em questão, Temer é investigado por suspeita de envolvimento no esquema de corrupção envolvendo a edição da MP (Medida Provisória) 595/2012, também conhecida como “o decreto dos Portos”, supostamente para beneficiar a empresa Rodrimar, que atua no setor.

Essa é a primeira vez em que um juiz determina a retirada de sigilo de dados bancários de um presidente da República no Brasil. Protagonista do inquérito, Temer tem contestado as acusações desde que o caso veio à tona.

Debate

O tema esteve na pauta de um evento realizado nessa terça-feira e transmitido ao vivo pelo site no Facebook e no Twitter. Durante as discussões, foram abordadas algumas revelações da última onda de pesquisa do painel, que ouve os principais líderes do Congresso Nacional a cada três meses.

Participaram do debate os deputados Alessandro Molon (PSB-RJ) e Marcus Pestana (PSDB-MG), o fundador do Congresso em Foco, Sylvio Costa, e Patrícia Marins, sócia-diretora da In Press Oficina, agência de comunicação sediada em Brasília que integra o grupo In Press Porter Novelli.

Essa nova rodada do “Painel do Poder” também indica que a maioria das lideranças não acredita que a crise política e a corrupção diminuirão nos próximos 12 meses.

O evento foi criado para monitorar de forma sistemática e cientificamente fundamentada as percepções e daqueles que mandam no Congresso Nacional. Foram ouvidos, ao todo, 52 parlamentares, respeitando-se a proporcionalidade em cada casa legislativa, incluindo governistas, oposicionistas e divisões regionais.

Os congressistas ouvidos pelo Painel foram escolhidos pelo papel relevante que ocupam no Legislativo. Isso inclui líderes partidários, membros das mesas diretoras da Câmara e do Senado, presidentes de comissões e influenciadores das principais bancadas temáticas, como os defensores dos interesses dos produtores rurais, dos direitos humanos, os sindicalistas e evangélicos.

Dos deputados e senadores entrevistados nessa última rodada, 69% pertencem a partidos da base governista. Em termos de regiões geográficas, 42% deles representam Estados do Sudeste, 29% são do Nordeste, 15% do Sul, 10% do Norte e 4% do Centro-Oeste.

Desenvolvido em parceria com o Ibpad (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados), o “Painel do Poder” tem caráter inédito tanto pela concepção metodológica quanto pela variedade de aplicações que permite. Estão entre elas, a aferição das tendências predominantes nas duas casas quanto ao relacionamento com o governo, a avaliação de políticas públicas e de temas específicos da pauta parlamentar e a influência de grupos organizados no Congresso Nacional.

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