Quarta-feira, 07 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 6 de outubro de 2026
Diálogos do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, com o advogado Ciro Soares, obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, indicam que ele tentou intermediar contatos do banqueiro com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.
Nas conversas, Ciro Soares relatou encontros com o ministro para tratar de assuntos de interesse de Vorcaro e tentou intermediar um jantar do ministro com o banqueiro, mas Vorcaro não atendeu ao telefone a tempo. “O GM queria que vc fosse jantar com ele. Aí fomos só nós quatro”, escreveu Ciro, às 23h20 do dia 17 de junho de 2024.
Procurado pelo Estadão, Gilmar Mendes disse, por meio de sua assessoria, que o jantar citado nunca ocorreu e afirmou que teve outros compromissos naquele dia, como o lançamento de um livro às 18h30 e um evento religioso em sua residência às 19h30. Afirmou ainda que as mensagens citadas foram trocadas por terceiros e que não pode responder por declarações de terceiras pessoas. Também negou ter mantido contato com os citados interlocutores para tratar de assuntos do Banco Master.
A intermediação desses assuntos envolvia também o então cunhado de Gilmar Mendes, o ex-senador Francisco Feitosa de Albuquerque Lima, conhecido como Chiquinho Feitosa (Republicanos).
Como revelou o Estadão, o Banco Master contratou Chiquinho e pagou a ele R$ 500 mil mensais para tentar obter benefícios em processos em tramitação no STF que seriam julgados por Gilmar. O ministro, no entanto, votou contra os interesses do banco nessas ações, embora em uma delas tenha havido comemoração por Vorcaro por ter efeito só para os casos após a decisão. O próprio Gilmar confirmou ter recebido Vorcaro e advogados do Master para tratar de causa bilionária.
O diálogo mostra que Ciro Soares apresentou Chiquinho Feitosa a Vorcaro. Em 11 de abril de 2024, Ciro enviou a Vorcaro o número de telefone de Feitosa. Naquele mesmo dia, Vorcaro enviou mensagem e fez o primeiro contato direto com o então cunhado de Gilmar.
As trocas de mensagens indicam que essa tentativa de aproximação começou no início daquele ano. No dia 31 de janeiro, Ciro afirmou ao banqueiro que teria “uma reunião do nosso assunto às 11:30” em Brasília. Vorcaro disse a ele que participaria de um almoço do grupo Esfera em homenagem ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e que Gilmar estaria no evento. “Procure ele. No meu nome e do Chiquinho Feitosa. GM já está ciente da sua ida”, escreveu Ciro a Vorcaro.
Em 5 de junho de 2024, Ciro afirmou que teve uma reunião com Chiquinho Feitosa e com o ministro. “Eu e chiquinho tivemos ótima reunião com GM. Espetacular”. No dia 12 de junho de 2024, Ciro Soares relatou a Vorcaro outro encontro com eles. “Estava no IDP com Chiquinho e GM. Preciso falar com vc em SP”, escreveu às 13h15. Diante da falta de resposta, Ciro insistiu: “Esquece de me ligar não. Meio urgente”. Pouco depois, eles combinaram de se encontrar pessoalmente.
Em 17 de junho, Ciro perguntou onde Vorcaro estava e não obteve resposta. Depois, por volta das 21h, ele enviou novas mensagens. “Chiquinho ficou lhe esperando. Liga aqui. Importante. Ele está indo para a casa do G”, escreveu. Vorcaro só retornou às 23h: “Oi. Terminei agora”.
Foi então que Ciro Soares revelou que a ideia era ter levado o banqueiro para jantar na casa do ministro. “Ok. Vamos falar amanhã. O GM queria que vc fosse jantar com ele. Aí fomos só nós quatro”, escreveu.
Em junho de 2024, Ciro Soares relatou a Vorcaro ter participado de um evento na presença de Gilmar Mendes. Na ocasião, o advogado participou do Fórum Jurídico de Lisboa, organizado por Gilmar. “Dani. Ontem foi do caralho. Ontem foi muito bom. GM é foda”, escreveu às 13h50 do dia 29 de junho de 2024. Nesse mesmo dia, um pouco mais tarde, Ciro Soares pediu para Vorcaro lhe telefonar e disse que estava naquele momento com Gilmar Mendes. Em seguida, enviou a Vorcaro uma foto em que o próprio Ciro aparece com Gonet e o desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), Newton Ramos.
Ciro Soares afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não há irregularidades nas conversas citadas. “Não há nenhuma irregularidade nos diálogos mencionados. No período das trocas de mensagens, não havia qualquer investigação contra Daniel Vorcaro. Naquele período, ele era um empresário de sucesso e, portanto, seria natural que tivesse interlocução com todos os segmentos da sociedade”, disse em nota. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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