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Política Mentor intelectual da família Bolsonaro e da ala ideológica do governo, o astrólogo e filósofo Olavo de Carvalho é apontado como responsável pela queda de ministros. Nem mesmo o grupo militar escapa do poder do guru

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Olavo foi apontado como grande influenciador de Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018. (Foto: Reprodução/YouTube)

A queda de braço marca os seis primeiros meses do governo Bolsonaro. A ala militar sofre baixas no primeiro escalão sempre que entra na linha de tiro do guru Olavo de Carvalho. Pelo Twitter, os disparos são certeiros, mesmo à distância. O astrólogo, filósofo e autor de 27 livros mora nos Estados Unidos. Mas usa das redes sociais para influenciar a ala mais radical do governo: os olavistas. Entre os fiéis seguidores do “Professor Olavo”, como é conhecido na internet, estão Carlos e Eduardo Bolsonaro, filhos do presidente. As informações são do jornal O Dia.

Na última semana, até os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que aprovaram a criminalização da homofobia, entraram na mira. “Na minha opinião, nenhum dos juízes do STF está qualificado intelectualmente para distinguir entre ‘opinião contrária’ e ‘preconceito’. Posso prová-lo se tiverem a coragem de se expor a um debate. Podem vir todos juntos”, tuitou.

Crítico da ala militar, Olavo assistiu de camarote à saída de dois militares do governo. Na sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro anunciou a demissão do general Juarez Aparecido de Paula Cunha da presidência dos Correios por “agir como sindicalista”. Ele se referia a uma manifestação contrária à privatização da estatal, no Congresso. Mas a saída mais emblemática ocorreu na quinta-feira, quando o então ministro Santos Cruz, desafeto de Olavo, deixou a Secretaria de Governo.

Apontado como entrave para as pautas conservadoras, o general da reserva entrou em rota de colisão com o ideólogo após uma entrevista, onde falou sobre a necessidade de um controle nas redes sociais como instrumento de governo, para que não virassem arma de grupos radicais. “Controlar a internet, Santos Cruz? Controlar a sua boca, seu m…”, tuitou Olavo, no começo de maio. Em meio ao bate-boca virtual, o próprio Bolsonaro entrou na jogada para colocar panos quentes. “Não existe grupo de militares nem grupo de Olavo aqui. Tudo é um time só”.

No fim de abril, Olavo trocou farpas até com o vice-presidente Hamilton Mourão, o mais influente militar no governo. Afirmou, em vídeo, que a herança das escolas militares são ‘cabelo pintado e voz empostada’. Disse, ainda, que os militares entregaram o país aos comunistas. Mourão revidou, dizendo que Olavo “deveria se limitar à função de astrólogo”. Olavo não deixou barato: “O Mourão deveria se limitar à única função que desempenha bem, de modelo”.

A primeira “vítima” da ala conservadora do governo foi Gustavo Bebianno, ministro da Secretaria Geral. Ele foi demitido em 18 de fevereiro após se envolver em um embate com o olavista Carlos Bolsonaro. No mês passado, comparou a onda de ataques a Santos Cruz com o episódio que terminou com a sua saída do governo.

Olavo ainda comentou a saída de Ricardo Vélez do Ministério da Educação, substituído por Abraham Weintraub, um seguidor do guru da direita. Detalhe: os dois foram indicados por ele. “Conseguiram trocar um pseudo olavete por um verdadeiro olavete”, disse, em entrevista ao jornalista Pedro Bial, da TV Globo. E concluiu dizendo que o sucessor “estudou as suas obras com profundidade”.

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