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Mundo Mercado de carnes na Argentina sairá fortalecido após ação do governo daquele país

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O Brasil exportou 714.363 toneladas até maio, ante 732.647 toneladas de igual período de 2020. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

As recentes restrições impostas pelo governo da Argentina sobre as companhias de carnes que atuam no país tendem a estreitar o número de empresas formais no mercado e fazer com a que o setor saia fortalecido, afirmou o CFO da Minerva Foods, Edison Ticle.

Ticle lembrou que a Argentina é um país com uma taxa de câmbio sensivelmente inferior à média do mercado e isso tornou-se um “incentivo perverso” para a entrada de intermediários no comércio de carnes com o objetivo apenas de arbitrar moeda.

Segundo o executivo da maior exportadora de proteína bovina da América do Sul, com operação argentina por meio da subsidiária Athena Foods, alguns players de fora do setor de alimentos entravam comprando e vendendo carnes para ganhar no câmbio.

“Algumas (dessas) empresas não conseguem cumprir os requisitos legais do país, obviamente não é o caso da Minerva e outros grandes players”, disse Ticle em entrevista concedida ao portal de internet da Suno Research. “O governo baixou medidas para tentar coibir esse tipo de prática”, acrescentou.

Além das restrições, a Argentina anunciou uma suspensão por 30 dias das exportações de carnes, como estratégia emergencial para conter a inflação no preço local da proteína bovina.

Para o CFO, após este período, devem restar menos empresas com licenças para exportar e as que permanecerem terão mais poder de barganha para conseguir preços e margens atrativas.

“Nesse sentido, vemos como bem-vindas as medidas do governo… Achamos que o mercado sai mais fortalecido, mais formalizado e as empresas que saírem disso vão sair mais fortalecidas.”

Atualmente, a operação na Argentina representa cerca de 10% da receita consolidada da Minerva Foods.

Logo após a suspensão de embarques, a companhia afirmou em comunicado que utilizaria sua diversificação geográfica para atender os clientes internacionais pelas unidades do Uruguai, Paraguai, Brasil e Colômbia.

A empresa ainda ressaltou no comunicado que também possui uma sólida atuação no mercado doméstico argentino através da Swift, uma das marcas mais conhecidas no país.

Sobre o aceno da concorrente Marfrig Global Foods para a diversificação de proteínas, com a aquisição de 24% da BRF, o executivo da Minerva disse que não vê sentido, para a companhia, para se ter investimento em bovinos, aves e suínos, sem que haja uma fusão entre as empresas.

“Não se deve esperar isso da Minerva no médio e longo prazo”, afirmou ele.

Ticle ainda negou que alguma proposta formal da Marfrig tenha chegado à Minerva, antes da compra de ações da BRF, conforme rumores que circularam no mercado.

Segundo ele, a única estratégia que faria sentido para a Minerva seria a ampliação da diversificação geográfica, com operações na Austrália e Estados Unidos, que também são importantes fornecedores globais de carne bovina.

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