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Mercado prevê inflação brasileira de 4,8% no ano e juros mais altos por causa da guerra

As estimativas para a economia brasileira constam no Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. (Foto: Divulgação)

Com a guerra no Oriente Médio sem previsão de terminar, o mercado financeiro elevou novamente a estimativa para a inflação em 2026 e passou a prever juros mais altos no Brasil, segundo as projeções reunidas pelo Banco Central junto a instituições financeiras e consultorias.

De acordo com o Boletim Focus, divulgado nessa segunda-feira (20) pelo BC (Banco Central), os economistas passaram a projetar que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) ficará em 4,80% neste ano, acima do teto da meta. A estimativa anterior era de 4,71%.

Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo do Conselho Monetário Nacional é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%. Dessa forma, a nova previsão do mercado permanece acima do limite superior perseguido pela autoridade monetária.

Para 2027, a expectativa do mercado subiu de 3,91% para 3,99%. O movimento indica que parte dos analistas segue vendo dificuldade para a convergência mais rápida dos preços, especialmente em um cenário internacional marcado por incertezas geopolíticas, oscilações no petróleo e pressões sobre cadeias de suprimentos.

Juros

Mesmo com aumento da projeção de inflação, o mercado financeiro continuou projetando queda dos juros ao longo dos próximos anos. Contudo, comparativamente à semana passada, a redução esperada foi menor, sinalizando percepção de que o processo de cortes pode ser mais lento do que se previa anteriormente. Atualmente, a Selic está em 14,75% ao ano.

Para o fim de 2026, a estimativa do mercado passou de 12,50% para 13% ao ano. Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado é de 11% ao ano. As estimativas indicam manutenção de juros em patamar elevado por mais tempo, ainda que abaixo do nível atual.

O comportamento da taxa básica depende, entre outros fatores, da trajetória da inflação, da atividade econômica, do cenário externo e das expectativas dos agentes financeiros. O Banco Central costuma afirmar que acompanha esses indicadores para definir os próximos passos da política monetária.

PIB

Para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2026, a estimativa do mercado subiu de 1,85% para 1,86%. Para 2027, a projeção foi mantida em 1,8%. As alterações foram marginais, sugerindo estabilidade na leitura sobre o ritmo de expansão da economia brasileira nos próximos anos.

Analistas observam que o desempenho da atividade pode ser influenciado pelo nível dos juros, pela renda das famílias, pelos investimentos privados e pelo comportamento da economia global, além de fatores climáticos que afetam setores como agropecuária e energia.

Taxa de câmbio

O mercado financeiro baixou a sua estimativa para a taxa de câmbio no fim deste ano de R$ 5,37 para R$ 5,30 por dólar. Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas caiu de R$ 5,40 para R$ 5,35.

As revisões mostram um cenário de leve apreciação do real nas projeções atuais, embora o câmbio siga sujeito a mudanças rápidas conforme o ambiente externo e doméstico.

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