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Brasil Mesmo após Bolsonaro dizer que não está dando certo, ministro da Educação afirma que não deixará o cargo

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O ministro afirmou que não pedirá demissão: "Não vou entregar o cargo". (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez , afirmou nesta sexta-feira (05) que não vai entregar o cargo. A declaração contraria o presidente Jair Bolsonaro, que, mais cedo, sinalizou que poderia demitir Vélez no início da próxima semana.

Vélez participou do Fórum Empresarial Lide, em Campos do Jordão, em São Paulo. Ele afirmou que não conversou com Bolsonaro. Perguntado sobre se sairia do ministério, Vélez disse que “agora não”. “Não tenho notícia disso. Eu vim participar do fórum e não vou pedir demissão”, disse o ministro.

Antes, Bolsonaro afirmou que o trabalho de Vélez na Educação “não está dando certo”. Disse ainda que “está faltando gestão” na pasta. Em café da manhã com jornalistas nesta sexta no Palácio do Planalto, o presidente afirmou: “Segunda-feira vai ser o dia do ‘fico ou não fico’. Na segunda, tira a aliança da mão direita e, ou vai para a esquerda, ou vai para a gaveta”.

O ministro é um dos mais polêmicos do atual governo e comanda um ministério que passa por uma troca constante de cargos. A pasta já teve mais de dez baixas desde o início do novo governo.

Durante a sua participação no fórum, Vélez foi questionado sobre a necessidade de se tomar decisões técnicas e racionais. “Temos que nos concentrar na tomada de decisões em uma perspectiva técnica e científica, e não diretamente ideológica”, respondeu.

Nesta semana, em outra polêmica, Vélez afirmou que pretendia revisar livros didáticos sobre o golpe de 1964 e a ditadura militar, que passaria a ser chamada de “regime democrático de força”. Em outra ocasião, o ministro enviou cartas a instituições de ensino pedindo para que as crianças fossem filmadas cantando o Hino Nacional.

Avaliação

Depois de suspender a avaliação de alfabetização e recuar da decisão, o governo pretende aplicar a prova deste ano apenas de forma amostral. Ao invés de buscar avaliar todos os alunos nessa etapa, o Ministério da Educação irá aplicar a prova a um conjunto de escolas.

A equipe do ministro Ricardo Vélez Rodríguez vai manter a aplicação da prova no segundo ano do ensino fundamental, como foi planejado na gestão passada em consonância ao previsto na Base Nacional Comum Curricular, documento que prevê o que os alunos devem aprender. Nas avaliações anteriores, esse teste foi direcionado a alunos do terceiro ano.

O plano é que, no ano que vem, uma nova avaliação de alfabetização ocorra de forma censitária, com o objetivo de produzir resultados de todas as escolas. O que também representa uma nova postura, uma vez que a ideia inicial desse governo era deixar essa avaliação apenas para 2021.

A suspensão da prova de alfabetização surgiu em portaria do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) do dia 25 de março e causou uma crise no MEC. Após a má repercussão, Vélez demitiu o presidente do instituto, Marcus Vinicius Rodrigues, sob o argumento de que não tinha ciência da medida.

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