Quarta-feira, 30 de setembro de 2026

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Brasil Mesmo com a taxa básica de juros no menor patamar da história, não se pode descartar que o Banco Central venha a adotar juros ainda mais baixos

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Pacote, voltado a pequenas empresas e famílias, prevê até o uso de imóvel já financiado para fazer novo empréstimo. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Como parte de sua agenda de modernização do sistema financeiro, o Banco Central decidiu reduzir os montantes de depósitos compulsórios — a parcela dos recursos de clientes que os bancos precisam recolher à autoridade monetária.

A decisão vai liberar R$ 135 bilhões, e o aumento da liquidez disponível pode ter, ao menos em tese, impacto positivo sobre a oferta de crédito no sistema bancário.

Os compulsórios incidem sobre uma variedade de depósitos (à vista, a prazo e de poupança) e têm função prudencial. Servem para regular a oferta de moeda e garantir que o sistema disponha de reservas suficientes, em especial para os momentos de crise.

O Brasil está entre os países com maior nível de recolhimento, contabilizando R$ 450 bilhões em janeiro, equivalentes a cerca de 6% do Produto Interno Bruto. Na maior parte dos países desenvolvidos o montante é praticamente nulo, e a segurança sistêmica se baseia em outros mecanismos.

É nessa direção que o Banco Central se move gradualmente. A decisão incluiu o corte de 31% para 25% nas obrigações incidentes sobre depósitos a prazo e o aumento do peso desses depósitos no cálculo do chamado Indicador de Liquidez de Curto Prazo, colchão exigido para atender necessidades em momentos adversos.

A mudança, a princípio, facilita a expansão de crédito, o que é desejável no contexto atual de letargia econômica. Embora as concessões para pessoas físicas e empresas venham crescendo com algum vigor desde o ano passado, os custos ainda são elevados, em parte por causa dos compulsórios.

Com a remoção desse entulho monetário, a distribuição de recursos no sistema também pode ser facilitada, com maior fluidez para bancos médios e pequenos.

Entretanto o efeito na atividade econômica se mostra mais incerto que o dos juros. Afinal, o aumento da liquidez atua apenas sobre o canal do crédito, enquanto a taxa Selic influencia outros vetores, como a disposição a investir das empresas, a propensão ao consumo das famílias e o perfil de risco das aplicações financeiras.

Nesse sentido, o BC salientou que a decisão se insere no contexto prudencial e não guarda relação com a política monetária. A preocupação evidente é não levar o mercado a concluir que a ampliação do nível de liquidez possa reduzir a necessidade de juros baixos.

Na verdade, é bom que se atue nas duas frentes. Mesmo com a Selic no menor patamar da história, a atividade ainda patina. Há ampla ociosidade nas fábricas e no mercado de trabalho, ao passo que a inflação continua sob controle.

Dada a frustração com os indicadores mais recentes, da indústria ao varejo, a economia precisa de incentivos. Não se pode descartar que o BC venha a adotar juros ainda mais baixos, ao mesmo tempo em que atua diretamente para facilitar a expansão do crédito. (Folha de S.Paulo)

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