Segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 7 de janeiro de 2026
Em 2025, ano em que o comércio internacional foi abalado pelas tarifas impostas pelo presidente americano, Donald Trump, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 68,3 bilhões, saldo 7,9% menor do que o de 2024. A queda foi maior do que o recuo de 6,6% nas vendas brasileiras para os Estados Unidos. No ano, porém, as exportações brasileiras somaram US$ 348,7 bilhões – maior patamar já registrado – e as importações, US$ 280,4 bilhões.
Os dados foram divulgados na terça-feira pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/Mdic), que projeta um aumento no superávit neste ano, para algo entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões.
O resultado da balança deste ano ficou atrás de 2023 e 2024, mas, graças ao aumento de 6,6% nas vendas para a China e de 31,4% para a Argentina, foi melhor do que o esperado pelas Projeções Broadcast, de superávit de US$ 65 bilhões. Ficou acima também da projeção mais recente do Mdic, de US$ 60,9 bilhões.
No entanto, com o avanço das exportações e das importações, a corrente de comércio do Brasil somou US$ 629 bilhões, maior valor já apurado pelo Mdic.
Sob efeito das tarifas, as exportações de produtos brasileiros para os EUA somaram US$ 37,7 bilhões, ante US$ 40,36 bilhões em 2024. Em contrapartida, os EUA foram a terceira principal origem das importações brasileiras, o que levou a um déficit comercial de US$ 7,5 bilhões, muito maior do que os US$ 284 milhões do ano anterior.
“Em grande medida, (esse resultado) é explicado pela demanda brasileira, especialmente de bens de capital”, disse Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatística e Estudos de Comércio Exterior.
Em novembro, Trump anunciou a derrubada de uma tarifa adicional de 40% sobre uma série de produtos brasileiros. Com o decreto, o Mdic calcula que 22% das exportações brasileiras, ou US$ 8,9 bilhões, ainda estejam sujeitas às tarifas estabelecidas em julho, incluindo nesse grupo tanto os produtos que pagam apenas a tarifa extra de 40% quanto os que pagam os 40% mais a taxa-base de 10%.
Outros 15% (US$ 6,2 bilhões) continuam sujeitos apenas à tarifa de 10%, e 27% (US$ 10,9 bilhões), às tarifas da Seção 232. E 36% das exportações estão livres de tarifas adicionais.
Em contrapartida, no ano passado, a China continuou sendo o principal destino das vendas brasileiras. Os chineses compraram US$ 100,02 bilhões do Brasil, alta de 6% ante os US$ 94,37 bilhões em 2024. O superávit com Pequim foi de US$ 29,09 bilhões em 2025.
Impulsionadas pelo setor automotivo, as exportações para a Argentina cresceram 31,4% em 2025, alcançando US$ 18,1 bilhões. As vendas para os argentinos avançaram com a melhora econômica do país. Após um duro ajuste no início de mandato de Javier Milei, o país enfrentou uma recessão econômica em 2024, mas retomou o crescimento no ano passado.
Quando se olha para a participação dos países na pauta exportadora, a China chegou a 28,7%, os EUA recuaram para 10,8% e a da Argentina subiu para 5,2% – a maior desde 2018. Na análise da pauta exportadora, os produtos mais vendidos seguiram a tendência dos últimos anos, com soja, petróleo e minério de ferro liderando as exportações. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.