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Brasil Metade dos brasileiros com baixa escolaridade ainda não escolheu o seu candidato a presidente da República

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Segundo informações de órgãos de inteligência, dez vereadores e dois prefeitos estão no grupo. (Foto: EBC)

A possível ausência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) da disputa eleitoral deixa, neste momento da corrida para o Palácio do Planalto, uma parcela expressiva do eleitorado sem optar por nenhum candidato: praticamente 50%. A soma de brancos e nulos com os indecisos ainda maior em alguns recortes específicos de eleitores.

Metade do eleitorado brasileiro menos escolarizado (que cursou, no máximo, até a 4ª série do Ensino Fundamental) não apoia nenhum dos postulantes à Presidência da República no cenário sem o líder petista, cujo registro da candidatura já foi contestado na Justiça Eleitoral. Os “sem-candidato” também aparecem de forma expressiva entre as mulheres, bem como na faixa mais pobre da população e na Região Nordeste.

Os números foram levantados na pesquisa mais recente do instituto Ibope, divulgada no início desta semana. Trata-se do primeiro levantamento após o início oficial da campanha eleitoral. Dentre os eleitores que chegaram, no máximo, até a 4ª série, 34% pretendem anular ou votar em branco, enquanto 15% não souberam ou não responderam – na soma, 49% deste eleitorado não optou por nenhum dos concorrentes ao Palácio do Planalto.

Esse resultado é parecido no recorte por gênero (44% das mulheres), dentre os que têm renda familiar mensal de até um salário-mínimo (43% dessa parcela da população) e no Nordeste (41% dos eleitores da Região).

No mesmo cenário pesquisado pelo Ibope, o perfil de quem não tem candidato é mais forte no eleitorado mais velho: 44% entre os eleitores acima de 55 anos e 43% na faixa que vai de 45 a 54 anos.

Os números gerais da pesquisa mostram que, sem Lula, 38% dos eleitores não escolheram nenhum candidato – 29% afirmam que vão votar em branco ou anular, enquanto 9% estão indecisos. Em 2014, neste mesmo período, este índice era de 15%: 7% de brancos ou nulos e 8% de eleitores que não responderam ou não opinaram.

No dia 27 de agosto daquele ano, o Ibope divulgou o primeiro levantamento após a entrada de Marina Silva na campanha. Ela, então filiada ao PSB, recém havia substituído o o cabeça-de-chapa Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo.

O índice elevado de eleitores sem candidato na ausência de Lula abre um campo a ser explorado por outras candidaturas. Conforme o Ibope, 13% do total do eleitorado afirma que “com certeza” votaria em Haddad se o ex-presidente não estiver na disputa. Outros 14% dizem que “poderiam” votar nele. Por outro lado, 60% sustentam que não votariam em Haddad de “jeito nenhum”.

Substituição

Os dados indicam que a possível substituição traz um benefício claro (alçam o ex-prefeito paulistano a um patamar mais elevado de votos já na largada da disputa) e também um prejuízo – a contaminação pela rejeição ao nome de Lula, a segunda maior entre os candidatos (30%), atrás apenas do candidato do PSL, Jair Bolsonaro (37%).

“No mês que vem, se Lula aparecer abraçado a Haddad em imagens anteriores à prisão pela Operação Lava-Jato, essa massa de brancos e nulos indecisos que é incorporada sem Lula tenderá a migrar para Haddad. Isso por uma soma de fatores: uma pesquisa recente, por exemplo, mostra que 46% da população brasileira considera o impeachment errado”, avalia o cientista político Michael Mohallem, professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) no Rio de Janeiro.

Mohallem alerta, ainda, para outro fenômeno que pode acontecer no eleitorado mais alinhado à esquerda: o voto útil. “Caso Haddad ou outro candidato chegar às vésperas da votação com chances reais, é possível que outras candidaturas derretam e haja uma união em torno do nome com mais chances de ir ao segundo turno.

Lula foi condenado em segunda instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá (SP), o que o enquadra na Lei da Ficha Limpa. O PT solicitou o registro de candidatura, mas o pedido foi contestado pela Procuradoria-Geral Eleitoral. A questão será decidida pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

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