Quarta-feira, 27 de maio de 2026

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Notícias Método para corrigir marcas e envelhecimento pode causar cegueira e derrame

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Ácido hialurônico pode causar complicações. (Foto: Reprodução)

A jornalista Priscilla Aguiar, de 32 anos, preparava-se para ir à Europa quando decidiu fazer um rápido procedimento estético no nariz, em Olinda. Em vez da esperada viagem, acabou internada por dez dias, por complicações causadas pelo preenchimento com ácido hialurônico. A substância, usada para tratar sinais de envelhecimento ou corrigir marcas no rosto, atingiu uma artéria que tem conexão com os olhos e o cérebro.

“Fui à clínica fazer um tratamento contra manchas e lá resolvi fazer a rinomodelação. No dia seguinte, em vez de melhorar, o nariz só ficava mais estranho. Mandei fotos para a biomédica e ela, através da secretária, disse para não apertar. No sábado (o procedimento foi feito quinta), começou a sangrar e a doer bastante. Ela disse para eu colocar gelo. No domingo, quando acordei, estava horrível. Fui para a emergência, e o resultado do exame deu necrose”, lembra Priscilla.

No hospital, com o nariz necrosado, ela soube que correu o risco de perder a visão e sofrer um AVC. Uma dermatologista, convocada para a junta médica que a atendeu, aplicou uma enzima para quebrar o efeito do ácido. A partir dali, a jornalista foi colocada em uma câmara hiperbárica para acelerar a cicatrização, tomou antibióticos e recebeu alta. Agora, vai começar tratamento para cicatrizes, sem garantias de que se recuperará totalmente.

O caso de Priscilla não é isolado. Tido como seguro quando feito por profissionais habilitados, o preenchimento com ácido hialurônico tem potencial invasivo, e quem o faz deve conhecer anatomia da face, farmacologia e características físico-químicas do material utilizado. Isso, no entanto, nem sempre acontece.

“As estatísticas com relação ao procedimento são mais de sucesso. Mas temos visto muitas complicações, e isso assusta. Não é algo banal ou simples de realizar. Nossa preocupação é alertar sobre qual profissional escolher. Há relatos frequentes de quem faz em salão de beleza. É uma injeção, não uma massagem. Cabe ao paciente escolher um profissional médico, primordialmente dermatologista”, indica Luiza Guedes, coordenadora da área de Cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Os especialistas ressaltam que o profissional, além de saber aplicar o ácido, deve ser capacitado para lidar com eventuais complicações. Para a dermatologista Lucila D’Amico Póvoa, o conhecimento da anatomia é fundamental: “Deve-se saber exatamente qual caminho o ácido vai percorrer. Também temos que ter no consultório uma substância chamada hialuronidase, que anula o efeito do ácido hialurônico. Se houver a obstrução de algum vaso, a gente pode observar e aplicar o produto”.

Priscilla, que fez o procedimento com uma biomédica, compartilhou o seu caso nas redes sociais, causando reação na classe. A presidente da Sociedade Brasileira de Biomedicina Estética, Ana Carolina Puga, defende que os biomédicos são capacitados e autorizados a realizar o procedimento. Ela diz, porém, que a entidade não indica a rinomodelação.

“É um procedimento estético de alto risco. Em caso de erro humano, as sequelas são irreversíveis. Nada será capaz de restaurar a anatomia original do nariz. Sempre recomendo ao paciente que, ao sinal de qualquer sintoma pós-procedimento estético, volte ao profissional, porque ele é apto a diagnosticar o problema e evitar maior complicação. Caso não consiga, ele vai indicar o tratamento necessário.”

 

 

 

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