Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 14 de abril de 2018
O presidente Michel Temer afirmou neste sábado (14) na 8ª Cúpula das Américas, em Lima, no Peru, que o Brasil tem “profunda preocupação” sobre a escalada da violência na Síria. O presidente condenou o uso de armas químicas e disse que é “urgente” que todos os envolvidos se unam para cessar “tanto sofrimento”.
“Eu quero manifestar a profunda preocupação do nosso país com a escalada do conflito militar na Síria. Já é, pensamos nós, passada a hora de se encontrarem soluções duradouras, baseadas no direito internacional, para uma guerra que se estende há tempos demais, e um custo humano elevado também demais”, disse Temer durante discurso na cúpula.
Temer condenou, ainda, o uso de armas químicas e nucleares. “Condenamos, naturalmente, o uso de armas químicas, que é inaceitável. Essa é uma tese pregada, divulgada no nosso país há muito tempo. Mesmo a utilização de armas nucleares, de energia nuclear, no nosso caso não é proibida apenas pela ação do governo, mas é um caso de estado, já que está escrito na Constituição que armas nucleares e experiências nucleares apenas para fins pacíficos”, afirmou o presidente.
Na madrugada deste sábado (14), a Síria foi alvo de bombardeio conduzido pelos Estados Unidos, França e Reino Unido a locais supostamente relacionados a armas químicas. A ação foi anunciada na noite de sexta-feira (13) pelo presidente norte-americano Donald Trump.
Combate à corrupção
Temer também falou sobre corrupção que, segundo ele, “corrói tecidos sociais” e “compromete a gestão pública”.
“O tema desse encontro mobiliza todas as nossas sociedades. O Brasil não é exceção. Não se pode tolerar a corrupção. A corrupção corrói tecidos sociais, compromete a gestão pública e privada, tira recursos valiosos da educação, da saúde, da segurança. O combate a corrupção, portanto, é imperativo da democracia. Democracia que, por sua vez, é a maior arma que temos para fazer frente a esse mal”, disse Michel Temer.
Ele ressaltou o papel da imprensa livre e da opinião pública vigilante na fiscalização das ações do poder público. “Só mesmo a democracia produz instituições autônomas e instrumentos eficazes para o combate efetivo aos desvios de conduta e desvirtuamento das funções públicas. É na democracia que temos transparência, que temos uma imprensa livre e uma opinião pública vigilante. Capaz de fiscalizar sem trégua, como deve ser, as ações do poder público. É na democracia que temos o estado de direito. É esse compromisso com a democracia que tem nos animado no combate a corrupção”, pontuou o presidente.
Crise migratória
No discurso, o presidente brasileiro também mencionou o que chamou de “crise política, econômica e humanitária” na Venezuela. Temer cobrou que OEA (Organização dos Estados Americanos) seja cada vez mais atuante para ajudar os venezuelanos a “reencontrar a trajetória da democracia”.
“Tal como a Colômbia, o Panamá, outros países, nós temos acolhido dezenas de milhares de venezuelanos que buscam no Brasil condições para a vida digna. O que é mais espantoso, há tempos atrás, nós tentamos mandar remédios e alimentos para a Venezuela, o que foi negado pelo governo venezuelano. Portanto, eu reitero que já não há mais espaço em nossa região para alternativas à democracia”, discursou.
Nesta semana, o governo de Roraima entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal pedindo o fechamento da fronteira com a Venezuela, afirmando que não tem condições de lidar com a entrada de tantos venezuelanos no estado.
O fechamento da fronteira foi descartado pelo presidente Michel Temer no primeiro dia do encontro da Cúpula das Américas, em Lima: “Não é hábito no Brasil. O Brasil não fecharia fronteiras e nem espero que o Supremo venha a decidir dessa maneira. Então, fechar fronteira é incogitável”.
Cúpula das Américas
Temer chegou em Lima na tarde de sexta-feira (13). É a primeira vez que Temer vai à cúpula como presidente. Na última edição, em 2015, no Panamá, ele ainda era vice. Antes de discursar, o presidente participou da foto oficial do encontro e da sessão plenária, ao lado dos demais chefes de Estado.
Ainda neste sábado, o presidente deve se reunir com o presidente do Chile, Sebastián Piñera, e participar de uma audiência com o congressista norte-americano Paul Cook. O retorno de Temer para Brasília está previsto no início da tarde deste sábado.
Antes de embarcar para o Peru, Temer transmitiu a Presidência da República, à ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal. Ela assumiu em razão das ausências dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), ambos em viagem ao exterior.
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