Terça-feira, 07 de Abril de 2020

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Brasil Mídia internacional destaca guinada do Brasil para a extrema direita

A CNN disse que Bolsonaro se parece com Trump, de uma certa maneira, em alguns aspectos. (Foto: Reprodução)

Nos Estados Unidos, a mídia que defende Trump consistentemente aprova a eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência do Brasil. A mídia que critica Trump todos os dias lamenta o resultado das eleições.

Aos eleitores de Bolsonaro, que quiserem ler notícias favoráveis ao presidente eleito, devem visitar os sites da Fox News, The Wall Street Journal e Washington Examiner — todos alinhados com Trump e, agora, com Bolsonaro.

A emissora de TV Fox News, por exemplo, celebra a vitória de Bolsonaro, um “campeão dos valores tradicionais brasileiros”. O The Wall Street Journal aposta que Bolsonaro vai estabelecer uma “nova era de ordem e progresso”. O Washington Examiner declara que Bolsonaro será melhor para o Brasil do que Fernando Haddad seria.

Mas praticamente toda a mídia dos EUA destaca que o Brasil vai dar uma guinada para a extrema direita, como aconteceu em outros países do mundo. E que os grandes perdedores dessa eleição foram a esquerda e o meio ambiente — isso porque um dos poucos assuntos que qualquer eleitor dos EUA sabe discutir sobre o Brasil é a salvação da floresta tropical (a rain forest).

Os eleitores de Bolsonaro que quiserem manter o bom humor não devem ler os sites dos demais órgãos de imprensa dos EUA — críticos ferrenhos de Trump e, agora, de sua reprodução na América Latina, Jair Bolsonaro, chamado de “Trump dos Trópicos”, “Trump Brasileiro” etc. Por exemplo:

Em editorial, o jornal The New York Times diz que é um dia triste para a democracia, quando a desordem e a decepção perturbam os eleitores e abrem as portas para populistas agressivos, grosseiros e violentos (não se referindo especificamente ao presidente eleito, Jair Bolsonaro).

Mas se refere, de uma maneira geral, à eleição de Jair Bolsonaro, o “Donald Trump brasileiro”, um linha-dura da direita com visões repulsivas, diz o jornal.

Em reportagem, o The New York Times diz que os brasileiros elegeram um “populista estridente” de extrema direita — mais à direita do que qualquer presidente da região, onde os eleitores escolheram políticos mais conservadores, como os da Argentina, Chile, Peru, Paraguai e Colômbia. Segundo o jornal, Bolsonaro se junta a uma leva de políticos de extrema direita que chegaram ao poder no mundo, como o primeiro-ministro da Itália, Matteo Salvini, e o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán.

“Essa é uma mudança realmente radical”, disse ao jornal o professor Scott Mainwaring, da Universidade Harvard, tido como especialista em Brasil. “Não consigo pensar em um líder mais extremista na história das eleições democráticas na América Latina, que foi eleito.”

O jornal destacou, como ponto positivo, o fato de Bolsonaro ter vencido candidatos com muito mais dinheiro que ele e com muito mais espaço na televisão, valendo-se das mídias sociais, com campanhas populares no Facebook, Twitter, WhatsApp e YouTube.

A revista The Economist também dá força à teoria de que Bolsonaro só ganhou maior presença no noticiário porque ele foi esfaqueado em setembro, durante a campanha. Além disso, ele teve mais presença na mídia social do que, por exemplo, Geraldo Alckmin, que tinha 40 vezes mais espaço gratuito na televisão.

A revista afirma que a campanha foi sustentada — e seu governo será sustentado no futuro — pela bancada da “bala, boi e Bíblia”. E que o plano dele de relaxar o controle de posse e porte de arma o coloca na mesma posição de Trump. Eles também se igualam em suas decisões de reduzir as proteções ao meio ambiente.

A revista prevê ainda que sua proposta de reduzir a idade penal não encontrará resistência considerável no Congresso. E afirma que ganhou as eleições não porque os eleitores gostam deles, mas porque odeiam o PT.

A CNN, que critica Trump quase 24 horas por dia, sete dias por semana, e compete com o The New York Times e Washington Post pela primazia de ser a oposição mais ferrenha ao presidente mais impopular da história dos EUA para a metade da população e popular para a outra metade (que assiste à Fox News), fez apenas uma curta referência à eleição de Bolsonaro. Disse apenas que ele se parece com Trump, de uma certa maneira, em alguns aspectos. E que ele ganhou porque os eleitores estão irritados com a economia, a recessão, a corrupção etc.

A revista Forbes foi mais moderada. Diz que, em todo o mundo, haverá manchetes dizendo que Bolsonaro é uma ameaça à democracia, tem preferência por ditaduras, é sexista e homofóbico. Mas o fato decisivo foi que ele suscitou uma grande energia entre os eleitores — um fato que só se compara, de certa maneira, à eleição de Lula em 2002.

Para a revista, eleições políticas são feitas de energia emocional crua e raramente de escolhas racionais. Em grande medida, ele ganhou porque transformou a campanha em um confronto entre ele e o PT. Isso lhe garantiu a maioria dos votos. (Conjur)

 

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