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Mundo Milhares de iranianos comparecem ao funeral do líder supremo Ali Khamenei

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Corpo do aiatolá assassinado no início da guerra com Estados Unidos e Israel foi levado a um palco ao ar livre para visita do público em Teerã

Foto: Escritório do líder supremo do Irã
(Foto: Escritório do líder supremo do Irã)

Dezenas de milhares de iranianos lotaram um complexo de orações ao ar livre em Teerã, neste sábado (4), para ver o caixão do aiatolá Ali Khamenei, que governou a República Islâmica por 37 anos antes de ser morto em fevereiro, no início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Vestidos de preto e envoltos nas bandeiras do Irã, os cidadãos presentes erguiam cartazes e folhas impressas em formato A4 com fotos de Khamenei e de seu filho e sucessor, Mojtaba Khamenei.

O Irã está realizando procissões fúnebres em massa para Khamenei como uma demonstração de devoção pública ao Estado teocrático da República Islâmica e ao fervor revolucionário.

Segundo imagens de televisão, o corpo do líder supremo foi levado a um palco ao ar livre para visita do público um dia depois de ter sido exposto em um ambiente fechado para visitação de altos líderes iranianos e autoridades estrangeiras.

A multidão entrava no vasto pátio da Grande Mosalla do Imam Khomeini batendo no peito, se lamentando em voz alta e agitando bandeiras da República Islâmica e de históricos mártires muçulmanos xiitas. Mulheres vestidas com chadores pretos usavam viseiras brancas ou seguravam guarda-sóis para se proteger do sol forte da manhã.

“Vamos lamentar!”, incentivava um locutor a multidão por meio de um alto-falante. “Todos gritem ‘oprimido’, todos digam ‘Hussein'”, dizia ele, invocando tradições xiitas de sacrifício, incluindo a de Hussein, neto de Maomé. Ao sinal, a multidão lamentava-se e entoava gritos.

Segundo a mídia estatal iraniana, o ataque israelense que matou Khamenei também resultou na morte de sua filha, seu neto, sua nora e seu genro. Dentre os cinco caixões colocados sobre uma plataforma elevada e cobertos por bandeiras iranianas, estava um menor, destinado a neta de 14 meses do aiatolá.

As instituições militares e de segurança do Irã prometeram vingança pela morte de Khamenei, e gritos de “Morte aos Estados Unidos” ecoaram pela Mosalla, informou a emissora estatal Seda va Sima.

O funeral ocorre em um momento crítico para a República Islâmica, onde os governantes clérigos — apoiados pelo IRGC (Corpo de Guardas da Revolução Islâmica) — sentem-se fortalecidos por terem sobrevivido ao que consideraram uma guerra existencial contra seus adversários mais poderosos.

No entanto, segundo analistas, por trás da fachada de unidade e devoção, o apoio público à República Islâmica ficou extremamente frágil. Mojtaba Khamenei, que há muito tempo mantém laços estreitos com a elite do IRGC iraniano, não apareceu em público desde que foi ferido no ataque que matou seu pai.

Milhares de ataques aéreos dos EUA e de Israel atingiram alvos militares, bem como infraestruturas energéticas e civis, durante as semanas de guerra iniciadas com a morte de Khamenei, em 28 de fevereiro. De acordo com dados estatais, os ataques mataram mais de 3.000 pessoas no país.

O Irã retaliou com ataques a bases dos EUA, disparos de mísseis contra Israel e uma série de investidas contra alvos energéticos em países árabes do Golfo, além do bloqueio do transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Pelo menos 13 militares americanos foram mortos.

Milhares de outras pessoas morreram na região em decorrência da guerra, especialmente no Líbano, onde Israel continua a combater o Hezbollah, grupo paramilitar apoiado pelo Irã. Ataques e demolições realizados por Israel arrasaram vastas áreas civis no sul do Líbano.

Os EUA e o Irã chegaram a um cessar-fogo frágil no início de abril e assinaram um acordo inicial para interromper as investidas em junho, embora ainda ocorram alguns ataques de retaliação mútua.

A rivalidade entre EUA e Irã tem contribuído para manter o Oriente Médio em estado de tensão, junto às guerras de Israel contra aliados iranianos e às suas campanhas contra os palestinos.

Observadores afirmam que a guerra, que vitimou muitos oficiais militares de alto escalão e segurança iranianos, fortaleceu líderes mais extremos no país, que se sentem mais propensos do que o falecido Khamenei para lançar ataques diretos contra seus adversários.

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