Terça-feira, 10 de março de 2026
Por Redação O Sul | 10 de março de 2026
Militares das altas cúpulas das Forças Armadas têm demonstrado preocupação, em conversas reservadas com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com o julgamento no Superior Tribunal Militar (STM) que pode declarar a perda de patente de militares condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.
Segundo apurou o blog da jornalista Andréia Sadi junto a fontes do STF, integrantes das Forças têm usado, nesses diálogos, o argumento de que o STF vive hoje uma crise institucional e de reputação em meio às revelações do caso Master, envolvendo questionamentos morais e éticos sobre integrantes da Corte.
Nos bastidores, militares têm dito a ministros que oficiais poderão ser declarados “indignos do oficialato” com base em decisões tomadas por um tribunal que, na visão deles, estaria hoje sob desgaste exatamente moral.
O movimento reforça um temor que já circula entre ministros do Supremo: o de que a crise que envolve a Corte acabe contaminando outros julgamentos e decisões institucionais.
É exatamente esse flanco que parte da cúpula militar tenta explorar para tentar proteger oficiais condenados pelos ataques golpistas.
Como revelou o jornalista Merval Pereira no Estúdio i da GloboNews, comandantes das Forças também levaram ao presidente Lula preocupações relacionadas à crise provocada pelo caso Master.
Refúgio permanente
Em outra frente, a Comissão Nacional de Refugiados (Conare) da Argentina concedeu refúgio permanente ao brasileiro Joel Borges Corrêa, condenado a 13 anos e seis meses de prisão por envolvimento nos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.
A decisão do órgão, que é vinculado ao Ministério de Segurança Nacional do país vizinho, foi tomada no dia 4 de março, mas tornada pública nessa terça-feira (10), segundo o advogado Luciano Cunha, que representa Corrêa no caso.
O brasileiro estava preso no país desde o fim de 2024 e chegou a ter o pedido de extradição autorizado pela justiça da Argentina em dezembro do ano passado. Desde de janeiro, no entanto, sua prisão preventiva estava convertida em prisão domiciliar.
O pedido de extradição foi feito pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), que condenou Corrêa pelos crimes de abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, deterioração do patrimônio tombado, dano qualificado e associação criminosa armada.
De acordo com a defesa de brasileiro, o processo administrativo no Conare reconheceu que Joel Corrêa “deixou seu país de origem diante de fundado temor de perseguição relacionado à atribuição de opinião política, bem como diante de riscos concretos de violação a garantias fundamentais, circunstâncias que justificam a concessão da proteção internacional pelo Estado argentino”.
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