Sábado, 15 de Agosto de 2020

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Brasil Ministério da Defesa autoriza envio de 950 militares para cerco à Rocinha

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Ministro da Defesa, Raul Jungmann. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O Ministério da Defesa autorizou nesta sexta-feira (22), o cerco das Forças Armadas à Rocinha, a mais conhecida favela do Rio de Janeiro, localizada em São Conrado, na zona sul da capital. Mais cedo, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) havia pedido reforço dos militares para ajudar no patrulhamento da comunidade, cuja população vive sob intensos tiroteios desde domingo passado. Nesta manhã, confrontos entre traficantes e policiais fecharam a Autoestrada Lagoa-Barra, que passa pelos acessos da Rocinha e é a principal via de acesso entre a zona sul do Rio e a Barra da Tijuca, na zona oeste.

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou, em entrevista coletiva após reunião com o presidente Michel Temer (PMDB), que um efetivo de 700 homens da polícia do Exército, que já está no Rio, seria deslocado para fazer um cerco na Rocinha. Na sequência, o ministro anunciou que o efetivo aumentou para 950 homens das três Forças (Marinha, Aeronáutica e Exército), além de dez blindados.

Questionada sobre a razão da mudança em tão pouco tempo, a assessoria de imprensa do ministério da Defesa explicou que o número pode voltar a mudar a qualquer momento, caso seja necessário.

“Foi autorizado cerco na Rocinha para que se possa continuar o enfrentamento com criminosos”, disse no Palácio do Planalto. “O Exército não substitui a polícia. Quem está na ponta são as polícias. Nós atuamos por demanda”, ponderou.

Segundo o ministro, o efetivo total de que a União dispõe no Comando Militar Leste é de 30 mil homens e que operacionalmente até 10 mil homens podem ser mobilizados de forma mais rápida caso haja necessidade.

“Trinta mil são todo efetivo que o Comando Militar Leste tem. Oficialmente, podemos deslocar 10 mil homens. Neste momento, por se tratar de uma demanda de urgência, você desloca com mais velocidade a polícia do Exército. Agora serão 700”, explicou. “O contingente pode aumentar, mas depende da demanda. Quem estabelece isso é o centro integrado”, afirmou, dizendo que a União e o Estado do Rio estão trabalhando de forma harmônica.

No início da tarde, o secretário de Segurança do Rio, Roberto Sá, afirmou que as Forças Armadas poderão chegar a qualquer momento à Rocinha. De acordo com o secretário, assim que as guarnições chegarem, os militares farão um cerco da favela e controlarão o trânsito, para  liberar policiais para atuar em ações específicas como  bloquear entradas e saídas, e não entre na favela.

O chefe da 1.ª Divisão do Exército, general Mauro Sinott, afirmou que os soldados começarão a atuar à tarde. “Entendemos por bem pedir este cerco das Forças para liberar nossos policiais para o patrulhamento de outras áreas e ações específicas na comunidade. Todos os esforços possíveis serão colocados à disposição da sociedade. Vamos tentar a todo custo fazer a efetuação da prisão desses criminosos”, disse o secretário.

“Não vamos recuar dentro da Rocinha. É o quinto dia de operações. Ontem (quinta-feira, 21), descobrimos uma grande quantidade de armamento e drogas”, afirmou Pezão.

Segundo o governador, as forças de segurança do Estado, incluindo o Bope (Batalhão de Operações Especiais) e o Batalhão de Choque da PM (Polícia Militar), estão avançando numa região da Rocinha onde os traficantes se concentraram.

“Temos certeza de que a reação que está ocorrendo no asfalto é por causa disso. Pedimos reforço embaixo para dar tranquilidade”, afirmou o governador. Houve registro de confrontos em outras favelas do Rio, mas o reforço foi pedido apenas para a Rocinha. “A gente precisa agora na Rocinha”, disse Pezão.

Intenso tiroteio

A Rocinha vive um intenso tiroteio desde a manhã desta sexta-feira. Desde às 5 horas, a Polícia Militar realiza uma grande operação na Rocinha, em busca do chefe do tráfico da região, Rogério Avelino, o Rogério 157. Por volta das 8 horas, um grupo de menores incendiou um ônibus na subida da Avenida Niemeyer, em São Conrado, segundo a Polícia Militar. As chamas foram controladas sem o Corpo de Bombeiros.

Por volta das 9h30min, criminosos atacaram a base da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) na Rua 2. Houve confronto, e um morador foi ferido e socorrido ao Hospital Miguel Couto. Os criminosos deram tiros a partir da área de mata acima do Túnel Zuzu Angel. Seus alvos eram as guarnições policiais que realizavam o cerco à comunidade. Os criminosos chegaram a jogar uma bomba contra policiais da UPP e do 23º Batalhão (Leblon). O artefato não explodiu, e o Esquadrão Anti-bombas da Polícia Civil foi acionado para o local.

Houve confrontos com os criminosos na área de mata. Há policiais do Batalhão de Choque e do Bope na região. Todos os acessos da favela estão cercados pela polícia. Um veículo blindado dá apoio aos policiais. Por volta das 10 horas, a Estrada Lagoa-Barra foi interditada, em ambos os sentidos.

 

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