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Política Ministério Público da Bahia investiga o ex-ministro e ex-deputado Geddel Vieira Lima por suspeita de recebimento de propina de R$ 1 milhão

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Geddel negou enfaticamente envolvimento com os ilícitos apontados pelo Ministério Público da Bahia. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O Ministério Público da Bahia investiga o ex-ministro e ex-deputado Geddel Vieira Lima (MDB) por suspeita de recebimento de propina de R$ 1 milhão em meio a uma trama que levou à fuga do traficante Ednaldo Pereira de Souza, o “Dadá”, apontado como líder do Primeiro Comando de Eunápolis, braço do Comando Vermelho no sul do Estado.

Diálogos recuperados de celulares de dois alvos da Operação Duas Rosas têm citações a Geddel, chamado de “chefe” pelos interlocutores – o ex-deputado Uldurico Júnior e a ex-diretora do presídio de Eunápolis Joneuma Silva Neres. Ela fechou acordo de delação premiada e confessou participação na fuga de Dadá e outros 15 detentos em 12 de dezembro de 2024.

Ao Estadão, Geddel negou enfaticamente envolvimento com os ilícitos apontados pelo Ministério Público da Bahia e disse que “qualquer um pode ser vítima de uma conversa em que se usa o nome de terceiros”. “Há uma conversa entre dois criminosos que citam meu nome”, afirmou ele.

A Operação Duas Rosas foi deflagrada há uma semana. O nome da ofensiva faz referência ao valor estimado da vantagem indevida que teria sido paga a Uldurico Júnior, preso em um hotel na Praia do Forte. Em conversas com Joneuma, ele sugere que metade da propina de R$ 2 milhões para executar o plano de fuga do líder da facção seria destinada a Geddel.

Segundo a Promotoria, a palavra “rosa” era usada para se referir a dinheiro, “aparecendo em diálogos sob termos como ‘as rosas’, ‘quando as rosas vão chorar’ e ‘choram as rosas’”, em alusão a pagamentos. O MP instaurou um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) sobre a suposta ligação de Geddel com Uldurico Júnior.

Em setembro de 2017, na Operação Tesouro Perdido, a Polícia Federal achou R$ 51 milhões em dinheiro vivo em um apartamento no bairro da Graça, em Salvador, alugado por Geddel para “guardar documentos”. As cédulas de real (R$ 42,6 milhões) e dólar (US$ 2,7 milhões) estavam estocadas em malas, caixas de papelão e espalhadas pelo chão.

Os federais levaram três dias para concluir a contagem da fortuna, cuja origem nunca foi explicada pelo ex-ministro dos governos Dilma e Temer. Dois anos depois, formalmente acusado de lavagem de dinheiro, Geddel teve pena imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de 14 anos de prisão – a investigação revelou que o imóvel era usado como “bunker” de ocultação de propinas. Peritos da PF capturaram impressões digitais dele nas notas e malas.

Velório

Agora, quase uma década depois, Geddel vê seu nome citado na Operação Duas Rosas. Os promotores apontam que Joneuma, indicação de Uldurico Júnior para a direção do presídio, permitia a concessão de regalias aos internos integrantes do Primeiro Comando de Eunápolis, liderado por Dadá.

As regalias incluíam acesso irrestrito a TVs, refeições diferenciadas, visitas íntimas nos pavilhões, livre circulação e até realização de velório. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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