Segunda-feira, 02 de março de 2026
Por Redação O Sul | 2 de março de 2026
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) denunciou à Justiça sete investigados por de tortura e homicídio qualificado em uma clínica terapêutica para dependentes químicos na zona rural de Estação (Noroeste gaúcho). A investigação foi deflagrada após a morte de um interno do estabelecimento, em janeiro deste ano, fato que motivou suspeitas e abertura de inquérito pela Delegacia de Polícia do município de Getúlio Vargas, na mesma região.
De acordo com o promotor de Justiça João Augusto Follador, o caso mais grave envolve o óbito de um homem brutalmente espancado por funcionários em um dos quartos da instituição. O laudo necropsial do Instituto Geral de Perícias (IGP) constatou múltiplas lesões no corpo da vítima, que havia sido deixada agonizante até sucumbir após o ataque.
O MPRS também identificou diversos episódios de tortura contra outros pacientes da unidade, em períodos distintos. De acordo com Follador, eles eram submetidos a ameças, privação de liberdade, dopagem forçada e castigos físicos, como forma de punição e controle comportamental. Até mesmo pauladas e tiros de espingarda de pressão foram relatados.
Na denúncia consta, ainda, um episódio de fraude processual, por meio da qual alguns dos acusados teriam tentado apagar vestígios do homicídio. Para isso, providenciaram limpeza do local e destruição dos pertences da vítima, visando dificultar a apuração policial.
O grupo denunciado é composto por cinco homens e duas mulheres – mãe e filha. Esta última filha era responsável pela administração do centro terapêutico, incluindo a coordenação das rotinas do estabelecimentos.
Já a mãe atuava como sua associada na condução da clínica e teria participado da incitação que resultou no homicídio, embora não tenha ficado comprovado seu envolvimento em torturas ou fraude processual. Ambas foram presas no último fim de semana, medida que já estava valendo para dois dos demais investigados.
Ampliação de sentença
A 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) ampliou de 57 para 63 anos a pena de prisão para um dos acusados de intermediar a contratação dos executores de um triplo homicídio contra pessoas da mesma família no bairro Cohab, em Passo Fundo (Norte do Estado). O réu havia sido condenado em setembro de 2025.
Durante aquele julgamento, a acusação foi conduzida pelo promotor de Justiça Leonardo Giardin, designado pelo Núcleo de Apoio ao Júri (NAJ) do Ministério Público. Ao analisar os recursos, o TJRS rejeitou a tese defensiva de nulidade e manteve integralmente a decisão do conselho de sentença, reconhecendo que o acusado exerceu papel central na articulação criminosa:
“Ele monitorou a rotina das vítimas, repassou valores aos executores [nunca identificados] e atuou na ligação direta entre os mandantes e os encarregados da execução”, explica o MPRS, responsável por recurso para aumento do tempo de reclusão.
A Promoria responsável pelo caso destacou a gravidade excepcional do crime e a eliminação das testemunhas para garantir a impunidade. Foi igualmentre considerado agravante o impacto causado aos sobreviventes, todos crianças.
Em outro júri, também no ano passado, dois réus receberam condenações a 68 e 74 anos de prisão pelos mesmos crimes. São eles irmão e irmã, apontados como mandantes.
(Marcello Campos)
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