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Brasil Ministro André Mendonça Mendonça determina apreensão de passaporte de publicitário ligado a Daniel Vorcaro

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PF identificou que Thiago Miranda tinha passagem comprada para ir aos EUA na segunda-feira.

Foto: Reprodução
PF identificou que Thiago Miranda tinha passagem comprada para ir aos EUA na segunda-feira. (Foto: Reprodução)

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou neste sábado a apreensão do passaporte do publicitário Thiago Miranda, ligado a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A decisão atende a um pedido da Polícia Federal, que considerou haver risco de fuga do país.

De acordo com a investigação da PF, o publicitário tinha passagem aérea comprada para os Estados Unidos para esta segunda-feira.

Miranda foi alvo na última quinta-feira de mandado da PF de busca e apreensão, também autorizado por Mendonça. A Procuradoria-Geral da República (PGR) endossou a manifestação da PF a favor da operação.

Segundo as investigações, o publicitário agiu ao lado de Vorcaro para intimidar a jornalista Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo, e outras pessoas que eram vistas como “obstáculos” pela suposta organização criminosa.

A apuração da PF aponta que os investigados usaram uma plataforma que oferece serviços de venda de dados não autorizados, inclusive financeiros, para levantar informações sobre a jornalista.

O objetivo, de acordo com a PF, era encontrar “elementos potencialmente desabonadores”.

A mesma forma de atuação, segundo o inquérito, foi usada contra outras pessoas que eram encaradas como “obstáculos”, como o executivo Milton Maluhy, CEO do Itaú, concorrente do Master.

Ao solicitar as medidas na quinta-feira, a PF afirmou que Miranda e Vorcaro agiram para “proteger o núcleo dirigente da organização criminosa; manipular a opinião pública; coagir, intimidar e violar dados sigilosos de jornalistas, concorrentes e pessoas ligadas ao presidente do Banco Central”.

“Observando-se latente abuso ao buscar informações de cunho familiar para atingir os objetivos de intimidação e coação, em cenário apto a configurar a potencial prática do crime previsto no art. 154-A do Código Penal”, afirmou a PF, fazendo referência ao crime de invasão de dispositivo informático.

O inquérito revela também que Miranda usou recursos oriundos das “fraudes financeiras” do Master para promover “campanha de desinformação na mídia”.

O mandado deu aval para a apreensão de celulares e outros equipamentos eletrônicos, além de documentos, e determinou a extração de conversas contidas nos aparelhos, inclusive na nuvem.

As conversas entre Vorcaro e Miranda Diálogos obtidas pela PF mostram que a insatisfação de Miranda e Vorcaro surgiu a partir de reportagens que abordaram investigações sobre a instituição financeira devido a operações fraudulentas e manipulação de preços.

Após as reclamações do banqueiro, o publicitário afirmou que iria “revirar a vida” da jornalista, e repassou ao dono do Banco Master informações sobre familiares, contas bancárias e endereço da profissional.

Thiago Miranda também aparece em diálogos, revelados em maio pelo site The Intercept Brasil, intermediando o financiamento de um filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em setembro de 2025, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente, enviou um áudio pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para custear um filme biográfico sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Como mostrou a colunista Malu Gaspar, Miranda confirmou que intermediou a negociação que levou Vorcaro a aportar R$ 62 milhões no filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. De acordo com ele, o valor previsto seria maior, mas os repasses foram suspensos com a crise na instituição financeira.

O publicitário afirmou ainda que a ligação de Vorcaro com o filme não apareceria publicamente. Segundo Thiago Miranda, o projeto do filme foi apresentado a ele pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP), que pediu ajuda por estar com dificuldade de financiamento.

 

(Com O Globo)

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