Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 8 de junho de 2021
Na contramão do que defende o presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou à CPI da Covid que medicamentos como cloroquina e hidroxicloroquina não têm eficácia comprovada contra o coronavírus. Em seu segundo depoimento à comissão, nesta terça-feira (8), Queiroga mudou o discurso e, quando foi questionado sobre aglomerações promovidas por Bolsonaro, disse que não é “censor” do presidente da República.
Com relação ao chamado “tratamento precoce” com o uso de medicamentos contra covid-19 sem comprovação científica, Marcelo Queiroga reforçou que essas discussões “nada contribuem para pôr fim ao caráter pandêmico dessa doença”.
O ministro mostrou contrariedade com perguntas sobre a cloroquina. “Não tem eficácia comprovada, volto a repetir”, afirmou Queiroga, em depoimento de quase oito horas à CPI. “Se eu ficar na discussão do ano passado, não vou em frente.” Mesmo assim, disse que o tratamento precoce tem provocado “forte divisão na classe médica”.
“De um lado há aqueles como eu, que sou mais vinculado às classes científicas com um pensamento. Do outro lado, os médicos assistenciais que estão na linha de frente, que relatam casos de sucesso com esses tratamentos. Eles discutem de maneira muito calorosa”, argumentou.
Marcelo Queiroga também disse que a portaria que prescreve cloroquina contra a covid-19 perdeu o seu objeto e não tem efeito legal. “A nota não é protocolo e não cabe revogação”, declarou Queiroga. Ele destacou, porém, que não vai retirar a nota do site do Ministério da Saúde, e foi criticado pelo relator, Renan Calheiros (MDB-AL).
Queiroga disse, mais uma vez, que o uso da cloroquina é discutido na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Assegurou aos senadores, ainda, que a Conitec vai decidir, na próxima quinta-feira, quais são as recomendações para o tratamento hospitalar da covid-19, com “protocolo clínico e diretriz terapêutica”. Ao depor pela primeira vez à CPI, no dia 6 de maio, Queiroga havia afirmado que não faria juízo de valor sobre o remédio exatamente porque esse assunto estava sob análise da Conitec.
O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), questionou o ministro sobre uma nota informativa publicada no site do Ministério da Saúde, no ano passado, orientando a prescrição de cloroquina. Queiroga respondeu que “a nota perdeu o objeto”, mas, mesmo assim, não vai retirá-la do site. “A nota não é protocolo, é informação de dose. Não é um ato administrativo, não cabe revogação. Está no site porque faz parte da história”, disse ele. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo e da Agência Senado.
Os comentários estão desativados.