Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 26 de junho de 2021
Menos de 24 horas após apresentar pedido público de desculpas por ter desrespeitado a quarentena vigente no Reino Unido, o ministro da Saúde Matt Hancock renunciou ao cargo. Na origem da violação está o fato de que ele abraçou e beijou uma de suas assistentes, cerca de um mês atrás – tudo confirmado por fotos e vídeos divulgados na imprensa.
Hancock, 42 anos, apresentou sua carta de desligamento em meio a fortes pressões políticas. Os registros do encontro, publicados em primeira-mão pelo jornal “The Sun”, levaram os partidos Trabalhista e Liberal Democrata, de oposição, a exigirem o afastamento do ex-ministro.
“Eu aceito ter violado regras de distanciamento social nesta circunstância. Eu desapontei as pessoas e sinto muito. Permaneço focado em trabalhar para tirar o país desta pandemia e seria grato se houvesse privacidade para minha família nesta questão pessoal”, declarou em comunicado oficial, após a divulgação das imagens, que viralizaram nas redes sociais.
O caso também envolve um escândalo sexual, já que a cena do beijo e abraço são “quentes” e a mulher com quem o ex-ministro foi flagrado é Gina Coladangelo, ex-colega de faculdade e uma de suas principais assessoras. Ele é casado com Martha Hoyer Williams há 15 anos, o que contribuiu para alimentar o falatório de que Gina seria também sua amante.
Após o escândalo, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, aceitou o pedido de desculpas de Hancock, elogiou sua contribuição para o combate da pandemia e foi enfático ao definir que o assunto está encerrado. Mas a polêmica continuou crescendo.
O prefeito de Londres, Sadiq Khan, afirmou que o episódio poderia fazer com que as pessoas se tornassem mais resistentes a seguir as medidas impostas contra o avanço da covid no país.
Diante das pressões, o primeiro-ministro admitiu que Hancock devia “abandonar o cargo orgulhoso de tudo o que você conquistou, não somente durante o combate contra a pandemia, mas inclusive antes que a covid nos atacasse”.
No início da pandemia, porém, Johnson enviou mensagens de WhatsApp a seu ex-assessor Dominic Cummings, reveladas meses mais tarde, nas quais o primeiro-ministro se referia a Hancock como “um puto inútil total”.
Após a divulgação das imagens, informou a imprensa britânica, colegas de Hancock se comunicaram com o ex-ministro e o convenceram de renunciar ao cargo. O ex-ministro perdeu apoio dentro do partido de governo e sua permanência tornou-se insustentável.
Segundo informações oficiais, o comando da pasta da Saúde será assumido pelo ex-ministro de Finanças Sajid Javid, que renunciou no ano passado, depois de ter se recusado a demitir seus assessores políticos, como exigira Johnson. O novo ministro também integrou o governo de Theresa May.
Situação ainda preocupa
Para Johnson, a saída de Hancock representa um grande desafio, em momentos em que o Reino Unido, que já acumula 128 mil óbitos na pandemia, enfrenta um crescimento de casos de coronavírus e a presença preocupante no país da variante Delta. Em outros países europeus, a reabertura avança mais rápido.
Neste sábado, o país registrou 18.270 novos casos de coronavírus, maior número desde 5 de fevereiro. Também confirmou mais 23 óbitos pela doença.
O casos diários têm crescido há um mês, mas um rápido programa de vacinação parece ter quebrado a conexão entre infecções e mortes, uma vez que as fatalidades por dia seguem ao redor de 20.
Na última sexta-feira, 15.810 novos casos foram registrados. Os dados também mostraram que 83,7% dos adultos receberam primeira dose de vacina contra covid, ao passo que 61,2% já estão com o esquema imunizatório completo pela segunda injeção.
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