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Política Ministro da Saúde nega que revogação de nomeação de médica pró-cloroquina tenha a ver com o chamado “tratamento precoce”

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Marcelo Queiroga já recebeu duas doses de vacina contra a covid. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse nesta quarta-feira (21) que o recuo na nomeação da médica Mara Regina Cordeiro Pezzino para o cargo de diretora-geral do Hospital Federal de Ipanema, na Zona Sul do Rio, não tem a ver com ela ser favorável ao chamado tratamento precoce e que não descarta nomeá-la novamente.

A indicação da médica para o cargo no hospital federal foi publicada na terça-feira (20) no Diário Oficial da União. Nesta quarta, um dia depois de reportagem do portal de notícias G1 mostrar que Pezzino apoiava abertamente o uso de cloroquina, uma nova portaria registrou a revogação do ato.

Em Brasília, Queiroga disse que está fazendo “uma análise completa de todos os diretores de hospitais federais do Rio”. O ministro foi novamente questionado por repórteres se a desistência do nome tinha a ver com o tratamento precoce.

“Óbvio que não. Inclusive, ela estava indicada para o Hospital de Ipanema e não quer dizer que eu não possa colocá-la lá. Eu apenas vou fazer uma análise global dos hospitais no Rio de Janeiro”, afirmou Queiroga.

Medicamento sem eficácia

O medicamento defendido pela médica cotada para o Hospital de Ipanema e outros apoiadores do governo não tem eficácia contra a doença.

Inclusive, Pezzino aparece como signatária de um documento de 2020 intitulado “Manifesto em defesa da Vida e do tratamento pré-hospitalar da Covid”, que defende o uso de cloroquina.

Até terça, a foto de perfil de Mara no Facebook contava com um selo dizendo: “Eu apoio o tratamento precoce e preventivo, está salvando vidas”.

Em uma postagem no Twitter no dia 17 de janeiro, ela reafirma o apoio ao uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a covid.

Alerta da OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) vem alertando desde o segundo semestre do ano passado que a cloroquina, a hidroxicloroquina e a azitromicina não têm eficácia comprovada contra a covid e podem provocar efeitos colaterais.

Em um documento enviado recentemente à CPI da Covid, o Ministério da Saúde informou que os medicamentos não devem ser utilizados em pacientes hospitalizados por causa do coronavírus.

O Hospital Federal de Ipanema (HFI), vinculado ao Ministério da Saúde, oferece serviços de média e alta complexidade.

A unidade de saúde é referência em diversas especialidades como cirurgia geral, urologia, ginecologia, oftalmologia, oncologia, neurocirurgia, plástica reparadora e ortopedia. Na área clínica, algumas referências são a pneumologia, a dermatologia e a infectologia.

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