Quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 20 de janeiro de 2026
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a realização, nos próximos dias 26 e 27, das oitivas de oito investigados na Operação Compliance Zero, conduzidas pela Polícia Federal (PF). A investigação apura suspeitas de irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Os depoimentos serão colhidos na sede da Corte.
De acordo com pedido da Polícia Federal (PF), as datas sugeridas possibilitam que as defesas tenham acesso ao conteúdo da investigação, especialmente aos depoimentos do proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, e do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, colhidos em 30 de dezembro.
Na segunda-feira (26), serão ouvidos, por videoconferência, Dário Oswaldo Garcia Junior (diretor financeiro do BRB – Banco de Brasília), André Felipe de Oliveira Seixas Maia (diretor de uma empresa investigada no esquema), Henrique Souza e Silva Peretto (empresário) e Alberto Felix de Oliveira (superintendente-executivo de tesouraria do Banco Master).
Na terça-feira (27), estão previstas as oitivas dos investigados Robério Cesar Bonfim Mangueira (superintendente de operações financeiras do BRB) e Luiz Antonio Bull (diretor de riscos, compliance, RH e tecnologia do Banco Master), ambos presencialmente no STF. Já Angelo Antonio Ribeiro da Silva (sócio do Banco Master) e Augusto Ferreira Lima (ex-sócio do Master) serão ouvidos por videoconferência.
O que é investigado no Caso Master? O ponto de partida da crise foi a estratégia agressiva de captação adotada pelo banco, baseada na emissão de CDBs com juros muito acima do mercado, atraindo investidores amparados pela garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo os investigadores, esses recursos teriam sido lastreados em ativos de baixa liquidez ou de existência questionável, o que levantou dúvidas sobre a real capacidade do banco de honrar seus compromissos.
As investigações avançaram para apurar possíveis fraudes financeiras, incluindo operações simuladas, desvio de recursos e uso de estruturas societárias para inflar artificialmente a liquidez do banco. A PF também apura se parte do dinheiro captado foi desviada para beneficiar o controlador da instituição, o banqueiro Daniel Vorcaro, e pessoas de seu círculo familiar e empresarial.
Diante do agravamento da situação, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, encerrando suas atividades e transferindo a administração para um liquidante. A decisão, porém, passou a ser questionada no Tribunal de Contas da União, ampliando o caso para além do campo policial e abrindo um embate institucional sobre competências e fundamentos da medida.
A apuração criminal chegou ao Supremo Tribunal Federal, onde o ministro Dias Toffoli centralizou as decisões e determinou o sigilo de partes do inquérito. O caso foi levado ao STF após o surgimento de indícios envolvendo autoridade com prerrogativa de foro, além da avaliação de que a divulgação irrestrita das informações poderia gerar impacto no sistema financeiro.
Na fase mais recente da operação, a PF cumpriu 42 mandados de busca e apreensão, bloqueou e sequestrou bens que somam mais de R$ 5,7 bilhões e passou a investigar também familiares de Vorcaro e outros nomes do mercado financeiro. Para os investigadores, o Caso Master deixou de ser apenas um episódio de polícia e passou a envolver questões estruturais sobre regulação bancária, fiscalização estatal e a relação entre poder econômico e político no Brasil.
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