Os ministros André Mendonça e Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), informaram à Polícia Federal (PF) nesse sábado (19) que seus gabinetes não conseguiram acessar o conteúdo da mídia com a íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Cada magistrado enviou um ofício ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmando que, até esta tarde, não puderam ter “acesso efetivo ao material ali contido”.
Nos documentos encaminhados neste sábado, ambos registram que receberam uma cópia da mídia referente ao telefone apreendido em 18 de novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. O aparelho é identificado no ofício pelo número de série e pelos dois números de IMEI.
Segundo os ministros, porém, os gabinetes não conseguiram acessar os dados. Os dois ofícios, que foram enviados separadamente, apontam as duas mesmas possibilidades para o problema: “dificuldades de ordem técnica operacional” ou “algum tipo de defeito contido na mídia entregue”. Por causa disso, afirmam que os dados permanecem indisponíveis para exame e análise.
Os ministros também pedem então à Polícia Federal “o auxílio técnico operacional necessário” e a conferência da “higidez do material especificamente entregue” aos gabinetes. O objetivo, segundo os documentos, é verificar a integridade da mídia e superar qualquer impedimento ao acesso ao conteúdo.
A reclamação ocorre em meio à disputa dentro do STF em torno do acesso ao celular de Vorcaro. Nos últimos dias, o ministro Luiz Fux também pediu à PF acesso integral ao conteúdo do aparelho. Fux e Mendonça pediram acesso ao mesmo material já disponibilizado a Gilmar Mendes e Cristiano Zanin.
O arquivo compactado, enviado pela Polícia Federal por determinação de ministros do STF, tem 500 gigabytes (GB). Para se ter uma ideia, esse tamanho comporta cerca de 140 mil imagens em alta resolução, mais de 120 mil arquivos de áudio em formato MP3 e cerca de 40 horas de filmes em alta resolução.
Os dados estão divididos em pastas com chats, áudios e logs (registros de atividades feitas no aparelho). E há um cuidado especial com o tratamento especialmente para manter a privacidade de questões pessoais que possam estar na extração. Outra preocupação é não revelar dados ligados às apurações que ainda não foram deflagradas ou que possam render novas frentes de investigação.
Os dados extraídos foram organizados pela PF utilizando um software para perícia chamado IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais) para organizar e analisar o material coletado. Esse programa facilita a navegação, permitindo buscas por palavras-chave, em conversas e documentos, além de permitir estruturar arquivos. O sistema também gera um código específico que assegura a integridade das provas e permite analisar se houve tentativa de alteração no material.
A PF usou ferramentas para acessar dados apagados ou protegidos por senha. Peritos da polícia utilizaram softwares especializados para copiar o conteúdo completo do aparelho, recuperar fragmentos de dados e rastrear registros de envio de mensagens e arquivos.
A Polícia Federal disse, em nota, que as cópias entregues “são idênticas à extração realizada do aparelho”. O órgão também afirmou que “o material original permanece integralmente nas dependências da instituição, dentro de cadeia de custódia formalmente documentada, com os respectivos lacres íntegros e mecanismos de verificação de integridade digital”.
