Segunda-feira, 05 de maio de 2025
Por Redação O Sul | 24 de agosto de 2021
Ministro do STF diz não ter visto ilegalidade ou abuso de poder
Foto: Agência BrasilO ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli negou na noite de segunda-feira (23) o seguimento a uma ação movida por membros do Conselho Superior do Ministério Público contra o procurador-geral da República, Augusto Aras, que será ouvido nesta terça-feira (24) para mais um mandato à frente da PGR (Procuradoria-Geral da República).
Nessa ação, o grupo de procuradores afirma houve irregularidades na tramitação de uma representação que acusa Aras e o vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, de se omitirem de investigar atos do presidente Jair Bolsonaro.
A representação foi entregue ao Conselho Superior do Ministério Público Federal em 9 de agosto. Aras é o presidente desse conselho. Na ação apresentada ao STF, os procuradores afirmam que a representação criminal contra Aras e Jacques foi enviada, de forma indevida, aos gabinetes dos dois. E que, além disso, passou por uma série de despachos que tiveram o objetivo de impedir o Conselho Superior do Ministério Público Federal de analisá-la, e que acabaram a enviando ao Senado.
Os procuradores pediram ao Supremo, então, que Aras e Humberto Jacques (o vice-procurador-geral), além de seus assessores, fossem impedidos de interferir na tramitação dessa representação criminal. O pedido caiu para o ministro Dias Toffoli, que negou o pedido.
“Tem-se portanto meras ilações, não se verificando na espécie nenhuma ilegalidade ou abuso de poder”, afirmou o ministro na decisão, tomada na segunda-feira (23).
A decisão é a segunda vitória obtida por Aras na véspera de sua sabatina na CCJ (Comissão e Constituição e Justiça) do Senado, que acontece nesta terça-feira (24).
Também na segunda, o ministro Alexandre de Moraes arquivou um pedido feito pelos senadores Alessandro Vieira (Cidadania) e Fabiano Contarato (Rede) para investigar Aras também por suposta omissão em relação a atos de Bolsonaro.
Após a sabatina CCJ, Aras ainda precisará obter 41 votos favoráveis em votação secreta no plenário do Senado para seguir na função, o que equivale a maioria simples – a Casa tem 81 integrantes. Caso seja aprovado, permanece no cargo por mais dois anos.
Para indicar Aras a um novo mandato, Bolsonaro voltou a ignorar a lista tríplice da Associação Nacional dos Procuradores da República — ele já tinha feito isso ao indicar Aras pela primeira vez, em 2019, quando a indicação foi aprovada por 68 votos a 10.