Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 6 de setembro de 2017
O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), disse nesta quarta-feira (06), em Paris, na França, que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acobertou seu ex-braço direito, o ex-procurador Marcelo Miller.
Miller é suspeito de ter atuado em favor de executivos da JBS envolvidos em delações premiadas no âmbito da Lava-Jato. Ele é um dos principais citados em novos áudios gravados pelo empresário Joesley Batista e o lobista Ricardo Saud, que se tornaram públicos na terça-feira (05).
“Todos sabiam do envolvimento do Marcello Miller nesse episódio, só o doutor Janot que o escamoteava, que o escondia”, afirmou Mendes, ao dizer que as supostas manobras do ex-procurador eram um “segredo de carochinha” em Brasília.
Mendes também acusou a Procuradoria-Geral da República, sob a batuta de Janot, de ter feito “contratos criminosos” com delatores da Lava-Jato. “Ele [Janot] fez jus a tudo o que ele plantou durante todos esses anos e isso vai ser a marca que nós vamos guardar dele: o procurador-geral da delação de Joesley, desse contrato com criminosos e desta fita”, disse o magistrado.
Lula e Dilma
Sobre as denúncias apresentadas na terça-feira por Janot contra os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff – entre outras lideranças do PT –, Mendes disse ainda não ter “dados” para analisar a causa. O magistrado, mais uma vez, preferiu fazer uma análise política da situação.
“Eu imagino que o procurador-geral pensou em fazer um grand finale, oferecendo várias denúncias, inclusive a última contra o presidente da República”, declarou Mendes. Irônico, o magistrado completou: “Acho que ele conseguiu coroar dignamente o encerramento da sua gestão com esse episódio Joesley”.
Gilmar Mendes encerra nesta quarta-feira uma viagem oficial de uma semana pela Europa. Antes de chegar à capital francesa, ele passou por Bucareste, na Romênia, onde participou de uma conferência internacional sobre processos eleitorais. Em Paris, o ministro encontrou autoridades responsáveis pelas eleições na França.
De acordo com Janot, Lula foi “o grande idealizador da constituição da presente organização criminosa”. A participação do ex-presidente, segundo ele, se deu “na medida em que negociou diretamente com empresas privadas o recebimento de valores para viabilizar a sua campanha eleitoral à Presidência da República em 2002 mediante o compromisso de usar a máquina pública, caso eleito (como o foi), em favor dos interesses privados deste grupo de empresários”.
Para o procurador-geral, mesmo depois de sair da Presidência, Lula “continuou a exercer liderança do núcleo político da organização até maio de 2016”, quando o PT saiu do poder. Essa liderança foi exercida “em razão da forte influência que exercia sobre a então presidente Dilma”, afirma Janot. “Contudo, com a reformulação do núcleo político da organização criminosa, a partir de maio de 2016, os integrantes do PMDB da Câmara passaram a ocupar esse papel de destaque dentro da organização.” (Folhapress)