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Brasil Ministros do Supremo se dividem em ao menos três núcleos de influência e com interesses distintos; saiba quais são

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Divergências pontuais entre membros da Corte sempre estiveram presentes nos bastidores ou em julgamentos. (Foto: Arquivo/STF)

Após divulgar uma nota demonstrando união em torno do ministro Dias Toffoli, porém anunciando a troca da relatoria da investigação do Banco Master, a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) acreditava ter estancado uma crise sem precedentes. Um relatório da Polícia Federal (PF) apontava conexões entre o magistrado e um dos investigados em inquérito sob seus cuidados.

A solução de transferir o caso parao colega André Mendonça pretendia arrefecer as críticas à Corte, mas a medida foi insuficiente. Poucos dias depois, a temperatura voltou a ferver na Corte. O vazamento inédito de uma gravação de conversa reservada entre seus integrantes e uma decisão de Alexandre de Moraes contra integrantes da Receita Federal recolocaram o Supremo em evidência, ao expor uma fissura interna e reveladora de mudança nos eixos de força do Tribunal.

Integrantes do STF descrevem a Corte dividida hoje em ao menos três núcleos de influência, com interesses e estratégias distintas. O primeiro é encabeçado por Alexandre de Moraes, que continua a concentrar poder, atuando na maioria das vezes de forma coordenada com Flávio Dino e o decano do tribunal, Gilmar Mendes, em temas mais sensíveis, como na oposição ao Código de Conduta e na crise do Master, quando saiu em defesa de Toffoli.

Com um perfil mais discreto que os colegas, Cristiano Zanin também orbita esse grupo. Ele estabelece alianças ocasionais, como ocorreu no julgamento da trama golpista.

Em outro núcleo, Fachin se aliou a Cármen Lúcia no discurso de moralização da Corte após assumir a presidência. Além de capitanearem os debates sobre a criação de regras internas de conduta no STF, defenderam que o pedido de suspeição de Toffoli no caso Master fosse levado ao plenário do Tribunal.

Alinhado a esse grupo, Luiz Fux tem antagonizado com Moraes nos julgamentos da trama golpista, mas demonstrou apoio irrestrito a Toffoli quando foi discutida a suspeição do magistrado. Já Nunes Marques e André Mendonça (ambos indicados pelo então presidente Jair Bolsonaro), têm atuado de forma mais flutuante entre os dois núcleos, mas nem sempre de forma conjunta.

Em julgamentos da Segunda Turma, por exemplo, é comum que Nunes Marques seja o voto de desempate, com Mendonça e Fux de um lado e Gilmar e Toffoli de outro. Com uma atuação discreta e, às vezes, isolada no Tribunal, Mendonça passou a ter maior protagonismo à medida que concentrou a relatoria de dois casos com alto potencial de impacto político — o do próprio escândalo do Master (que “herdou” de Toffoli) e o que investiga fraudes em aposentadorias do INSS.

Divergências pontuais entre ministros sempre estiveram presentes em julgamentos ou nos bastidores da Corte. Mas a crise vivida atualmente é considerada singular. Nos bastidores, há relatos de desconfianças, disputas por protagonismo e queixas sobre a condução de questões polêmicas.

Aliança após o 8 de Janeiro

Havia uma aliança clara formada no STF para defender a Corte dos ataques a seus membros, mas à medida que ministros passaram a ser alvos de ataque de Bolsonaro e de aliados do então chefe do Executivo, formou-se um bloco para enfrentar as hostilidades, puxado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news e dos processos da trama golpista.

Isso se acentuou a partir do 8 de Janeiro, com as invasões às sedes dos Três Poderes por bolsonaristas inconformados com a derrota na eleição presidencial de 2022. O magistrado ganhou respaldo de seus pares para se tornar a face mais visível da defesa da democracia no País.

Com o passar do tempo, alguns ministros do STF divergiram das decisões de Moraes, especialmente nos processos do 8 de Janeiro, mas o seu apoio continuou majoritário, sob o pretexto de que era preciso dar respostas institucionais aos ataques sofridos pela Corte. (com informações de O Globo)

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