Segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 25 de outubro de 2026
Um grupo do Supremo Tribunal Federal (STF) avalia que o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, foi omisso ao não deliberar com celeridade sobre as denúncias a respeito de problemas nos transportes públicos, que prejudicaram a locomoção de eleitores em diversas cidades do Brasil.
Com a demora, a campanha petista acionou o Supremo, mas na corte também houve morosidade. A petição entrou às 15h46 e levou quase uma hora para ser sorteada para Cristiano Zanin. O gabinete do ministro divulgou a decisão depois de mais meia hora. O STF não explicou a lentidão.
A decisão de Zanin prorrogou das 17h para as 19h o horário de encerramento das urnas em todo o Brasil, mas não houve tempo hábil para comunicar oficialmente às seções eleitorais. Com isso, muitos locais de votação acabaram fechando as portas no horário original.
Marinho se juntou a outros aliados do candidato do PL que aproveitam a determinação do ministro para alavancar nas redes a narrativa de que haveria um golpe no país favorável ao presidente Lula (PT).
Um golpe foi tentado nas eleições de 2022, quando Jair Bolsonaro (PL) consultou a cúpula das Forças Armadas sobre a possibilidade de impedir que Lula fosse empossado. O Supremo Tribunal Federal condenou o ex-presidente a mais 27 anos de prisão por ter liderado essa tentativa.
Flávio Bolsonaro vem prometendo que concederá um indulto ao pai caso eleito, e que Jair entregará a ele a faixa presidencial.
O coordenador da campanha do senador também afirmou que a ação de Zanin teve como objetivo “tumultuar o processo de uma eleição que eles já perderam no voto”. “Eleição para o PT é aquela que eles ganham, quando eles perdem é ditadura. Lamentável.”
O pedido da campanha do petista para prorrogação da votação foi motivado por evidências de que eleitores enfrentaram dificuldades para chegar ao local de votação, devido à oferta insuficiente de transporte público — especialmente em Salvador e na capital paulista.
Na eleição de 2022, a PRF (Polícia Rodoviária Federal) organizou blitze que dificultou o acesso de eleitores aos locais de votação, especialmente no Nordeste, região que é um reduto do eleitorado petista.
A própria campanha de Flávio também pediu a extensão da votação deste domingo, para cidades de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina, devido a condições climáticas adversas.
No X, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) escreveu: “Ou a gente ganha. Ou a gente ganha. Tá avisado”. “Mais um impeachment pra ano que vem”, disse. O parlamentar também comparou a situação com as eleições venezuelanas de 2015, sob a ditadura de Nicolás Maduro, quando houve extensão da votação.
“Estão fazendo isso para criar narrativa de golpe. Só estão esperando isso acontecer, Flávio ganhar, para falar que é golpe por todos os cantos. Se a gente perder, pode ter certeza que essa prorrogação ajudou somente um time, o que precisava virar”, afirmou.
Em entrevista à imprensa em Brasília, na noite deste domingo, Nikolas foi perguntado se Flávio questionará o resultado se perder. “Uai, você tem alguma dúvida? Quem estava na frente das pesquisas? Então quer dizer que o Datafolha errou agora?”, perguntou. As pesquisas eleitorais não pretendem antecipar o resultado das urnas, mas fornecer um retrato do momento.
Nas redes, o influenciador Pablo Marçal (PRTB), que tem ajudado o candidato do PL a estruturar um eventual Ministério da Prosperidade, afirmou que estava indignado com a decisão, que, para ele, “tem cheiro de golpe”. “Pode preparar que está vindo surpresa aí, isso não é normal, não”, disse.
O deputado federal Marcel Van Hattem (Novo), eleito senador no Rio Grande do Sul, afirmou que Zanin deu um “golpe” nas eleições com a prorrogação da votação e disse que Kassio Nunes Marques, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), deveria “enquadrá-lo imediatamente”.
O parlamentar afirmou que irá protocolar um pedido de impeachment contra o ministro. O deputado federal Gustavo Gayer (PL) disse no X que buscará “assinaturas de todos que estão revoltados com esse golpe”.
A acusação de golpe também foi repetida em uma transmissão ao vivo dos Estados Unidos, com os ex-deputados federais Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ) e o influenciador Paulo Figueiredo. Os dois primeiros foram condenados pelo Supremo e há mandados de prisão em aberto contra eles.
Eduardo afirmou que, independentemente de quem sair vitorioso do pleito, a parte perdedora poderá argumentar que o adversário ganhou por conta da extensão do prazo. “Lamentável mudar a regra no meio do jogo, é país de república de banana, onde não tem império das leis”, disse, antes de ter sido informado de que o irmão também havia pedido a prorrogação.
O ex-deputado afirmou, também, que, se Lula saísse vitorioso, “não haveria reconhecimento imediato da comunidade internacional”. (Com informações da Folha de S.Paulo)
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