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Saúde Mistérios do coração feminino: ataques cardíacos podem gerar sintomas diferentes nas mulheres

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Mulheres costumam relatar a sensação de infarto usando muito mais formas de definir os sintomas do que os homens. (Crédito: Reprodução)

O coração de uma mulher esconde mistérios ainda não solucionados pela ciência. Mundo afora, médicos vêm observando que, quando sofrem um ataque cardíaco, elas podem apresentar sintomas diferentes da clássica dor no peito tão relatada por homens.

No universo feminino, não é raro o problema ser acompanhado por alertas mais dispersos, como náuseas, vômitos, falta de ar, dor nas costas e no pescoço, sudorese e indigestão. A explicação para essas reações atípicas permanece um enigma. Mas, se há um consenso, é de que ataques do coração em homens e em mulheres são definitivamente diferentes, e devem ser estudados e tratados como tal.

Esta curiosa realidade levou a Associação Americana do Coração, referência mundial quando o assunto é cardiologia, a divulgar o seu primeiro relatório científico sobre as peculiaridades do ataque cardíaco feminino.

Se, até pouco tempo, acreditava-se que infarto era “doença de homem”, nas últimas décadas elas passaram a sofrer tantos ataques cardíacos quanto eles, além de apresentar uma taxa maior de mortalidade em decorrência de infarto. No Brasil, por exemplo, pouco mais da metade das cerca de 100 mil pessoas que morrem de infarto todos os anos é composta por mulheres, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia.

“Nos últimos dez anos, a comunidade médica aprendeu que o coração das mulheres é diferente do coração dos homens em aspectos significativos. Mas ainda há muito para descobrir”, ressalta a cardiologista Laxmi Mehta, do Programa de Saúde Cardiovascular de Mulheres da Universidade do Estado de Ohio (EUA).

O infarto é a causa número um de mortes no mundo e no Brasil. Quando se trata das mulheres, comenta Laxmi, o que contribui muito para esse índice é a escassez tanto de estudos quanto de diagnóstico e de tratamento. Uma vez que, até a menopausa, as mulheres têm o hormônio estrogênio como uma proteção natural contra doenças coronarianas, muitas vezes elas (e até mesmo seus médicos) se “esquecem” que podem ter esse tipo de problema.

Resistência à dor.

Por enquanto, há uma hipótese principal para explicar a ocorrência de sintomas além da conhecida dor no peito. Por causa de uma proteção prolongada pelo estrogênio, os vasos sanguíneos das mulheres se dilatam mais do que os dos homens. Isso impediria que as artérias fiquem completamente bloqueadas, aliviando a dor no peito. Porém, daria margem para o surgimento de outros sintomas que pouco são sentidos pelos homens.

Alguns estudos indicam ainda que o limiar da dor para as mulheres é mais alto. Com isso, elas podem até sofrer a mesma pressão no peito que os homens, mas não experimentam uma dor tão drástica.

O presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Marcus Bolívar Malachias, explica que as mulheres costumam relatar a sensação de infarto usando muito mais formas de definir os sintomas do que os homens. “Elas dificilmente citam a palavra ‘dor’. Dizem que estão com um aperto no peito, um desconforto, um incômodo, uma angústia. E elas (…) contam também sobre sentimentos, sensações abstratas, circunstâncias difíceis pelas quais podem estar passando. Algumas vezes, isso ajuda a mascarar o diagnóstico.”

Segundo Malachias, a mudança de rotina entre as mulheres nas últimas décadas colaborou para elas se equipararem aos homens nos índices de infarto e de mortes relacionadas a problemas cardíacos.

Dificuldade no tratamento.

Mesmo após um episódio de infarto, as mulheres, em geral, têm mais dificuldade para seguir um tratamento de reabilitação, segundo médicos. Isto ocorreria porque boa parte delas tem muitas responsabilidades em casa, com filhos e com trabalho. (AG)

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