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Brasil Sérgio Moro disse que não assinou a demissão do diretor-geral da Polícia Federal e viu como “ofensivo” a publicação do seu nome no Diário Oficial

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“Não há nenhum convite para Moro ser ministro, e nem vontade dele para isso”, disse Bolsonaro. (Foto: Carolina Antunes/Presidência da República)

O ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, afirmou, em seu pronunciamento de demissão do cargo, que foi surpreendido pelo ato de exoneração do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, publicado no Diário Oficial da União na madrugada desta sexta-feira (24).

A exoneração foi publicada como “a pedido” de Valeixo no Diário Oficial, com as assinaturas eletrônicas do presidente Jair Bolsonaro e de Moro.

Moro afirmou que não assinou a medida e que soube de madrugada de sua publicação. Ainda segundo o ex-ministro, Valeixo não pediu para ser exonerado, ao contrário do que informa o ato no Diário Oficial.

“Fiquei sabendo pelo Diário Oficial, não assinei esse decreto.” O agora ex-ministro disse que isso foi algo “ofensivo” e que “foi surpreendido”. “Esse último ato foi uma sinalização de que o presidente me quer fora do cargo.”

O contexto da exoneração de Valeixo foi considerado decisivo para o ministro bater o martelo de sua saída do governo.

Na avaliação de aliados de Moro, Bolsonaro atropelou de vez o ministro ao ter publicado a demissão de Valeixo durante as discussões que ainda ocorriam nos bastidores sobre a troca na PF e sua permanência no cargo de ministro. Diante desse cenário, sua permanência no governo ficou insustentável, e Moro decidiu deixar o governo.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, Moro pediu demissão a Bolsonaro na manhã de quinta (23) quando foi informado pelo presidente da decisão de demitir Valeixo. O ministro avisou o presidente que não ficaria no governo com a saída do diretor-geral, escolhido por Moro para comandar a PF.

Moro topou largar a carreira de juiz federal, que lhe deu fama de herói pela condução da Operação Lava-Jato, para virar ministro. Ele disse ter aceitado o convite de Bolsonaro, entre outras coisas, por estar “cansado de tomar bola nas costas”.

Tomou posse com o discurso de que teria total autonomia e com status de superministro. Desde que assumiu, porém, acumulou uma série de recuos e derrotas.

Moro se firmou como o ministro mais popular do governo Bolsonaro, com aprovação superior à do próprio presidente, segundo o Datafolha.

Pesquisa realizada no início de dezembro de 2019 mostrou que 53% da população avaliava como ótima/boa a gestão do ex-juiz no Ministério da Justiça. Outros 23% a consideravam regular, e 21% ruim/péssima. Bolsonaro tinha números mais modestos, com 30% de ótimo/bom, 32% de regular e 36% de ruim/péssimo.

O ministro, nos bastidores, vinha se mostrando insatisfeito com a condução do combate à pandemia do coronavírus por parte de Bolsonaro. Moro, por exemplo, atuou a favor de Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde, na crise com o presidente.

Aliados de Moro avaliam que ele foi um dos alvos da recente declaração de Bolsonaro de que usaria a caneta contra “estrelas” do governo.

“[De] algumas pessoas do meu governo, algo subiu à cabeça deles. Estão se achando demais. Eram pessoas normais, mas, de repente, viraram estrelas, falam pelos cotovelos, tem provocações. A hora D não chegou ainda não. Vai chegar a hora deles, porque a minha caneta funciona”, afirmou Bolsonaro no último dia 5 a um grupo de religiosos diante do Palácio da Alvorada.

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