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Brasil Mortes de mães no Brasil sobem quase 150% na pandemia. Pesquisas apontam alto risco para gestantes

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Gravidez impõe cuidados e lança alerta para vacinação prioritária. (Foto: Reprodução)

Cresceu 144% desde o início da pandemia o número de mortes maternas provocadas pelo coronavírus, segundo pesquisa atualizada nesta semana pelo Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19. Outro fato dramático constatado é que uma em cada quatro gestantes e puérperas internadas com SARS-Cov-2 não teve acesso a UTIs e cerca de 34% não foram intubadas.

Os números consideraram análise que estende ao período de surgimentos dos primeiros casos da Covid no Brasil.

O secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Raphael Câmara Medeiros, afirmou, em entrevista coletiva, que mesmo na ausência de estudos, novas cepas do coronavírus podem se manifestar mais gravemente em mulheres grávidas e recomendou que, a partir do terceiro trimestre de gestação, elas façam o exame RT-PCR, que aponta a infecção pela coronavírus.

“Já temos a nota técnica que dá essa recomendação expressa para as grávidas com fatores de risco. Estamos na fase final de análise e não podemos errar. Estamos avaliando se iremos colocar, mas a sugestão de grande parte dos especialistas é essa”, disse o secretário.

A pasta avalia incluir todas as mulheres grávidas e puérperas na campanha nacional de vacinação contra o coronavírus. Atualmente, com as regras do Plano Nacional de Imunização só acolhem aquelas grávidas que apresentem comorbidades.

Câmara Medeiros observou que “praticamente todos os especialistas em ginecologia obstetrícia têm uma sugestão e pedem com bastante força que todas gestantes entrem nesta recomendação, já estamos em tratativas avançadas”.

A enfermeira Ana Paula Medeiros Alves está no oitavo mês de gestação e tomou a vacina do laboratório AstraZeneca. “Optei por tomar porque tenho acesso ao hospital. Acho muito arriscado, já temos outras vacinas com a mesma tecnologia das vacinas contra o coronavírus e gestantes recebem. Por mais que não tenha estudos com gestantes, a gente sabe que o risco de contrair (o vírus) é muito maior do que o de tomar a vacina”, diz.

Ela contou que após ter tomado a primeira injeção, no dia seguinte, acordou com dor no corpo e sonolenta. “À noite, tomei um remédio para tratar a dor e no outro dia acordei ótima, como se nada tivesse acontecido”, relatou.

O medo de contrair o vírus deixa Ana Paula ansiosa. “Às vezes a gente não consegue ficar em casa. Estou em casa há 1 mês, mas antes trabalhava normalmente. Meu marido sai pra trabalhar, e, com isso, a família tem que tomar todos os cuidados para que a gestante não tenha o contato com o vírus. O medo e a ansiedade surgem pela incerteza de pegar ou não a doença”, contou.

Ela concorda que a campanha de vacinação inclua as gestantes. “Todas as gestantes deveriam receber as vacina independentemente de ser grupo de risco ou não. Até porque o simples fato de ser gestante já é considerado grupo de risco”, defende.

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