Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 22 de fevereiro de 2016
“Silu, a vendedora é a vitrine da loja. E tu não é vitrine de nada. Você está demitida.” Foi assim que uma gerente mandou Siluandra Scheffer embora de uma butique de shopping, em agosto de 1996. E ela era uma das melhores vendedoras de lá. Mas, como estava gorda, e não tinha o “padrão de beleza” para trabalhar em uma loja “chique”. Para dar a “volta por cima” ela empreendeu um grande esforço e ainda realizou um sonho: tornar-se miss. Confira sua história.
“Fiquei arrasada. Não era a primeira humilhação que sofria por ser feia. Isso acontecia desde o primeiro dia de trabalho. Senti uma vontade imensa de me vingar daquela gente, mas preferi transformar a frustração em força para ficar bonita e realizar o sonho de ser miss. Por um tempo, alimentei o papel de vítima, confesso. Mas, aí, percebi que eu seria minha maior inimiga se ficasse me lamentando. Eu era a única que poderia mudar meu destino. A motivação eu já tinha: ser miss. Mas não podia dividir meu sonho com ninguém. Quem iria acreditar que eu conseguiria?
Observação dos vencedores.
Então passei a observar a postura das pessoas vencedoras, especialmente das misses. Olhava para elas e reparava tanto na parte estética como a postura. Com o tempo, me dei conta de que só seria merecedora do sucesso se começasse a agir em vez de ficar reclamando. Foi um período solitário, difícil. Por isso, nos momentos em que me sentia sem esperança, repetia duas frases pra mim mesma: ‘Deus, me torne um ser humano melhor para que eu seja digna de todo o sucesso do mundo’ e ‘sou forte, eu vou conseguir’. Além disso, sempre que queria alguma coisa, já me imaginava naquela situação. Por exemplo, se entrava em um concurso de beleza, fechava os olhos e me via vencedora. Deu certo.
Demorou quatro anos, mas consegui! Em 2000, cheguei aos 49 quilos e, com o vestido emprestado de uma amiga, o sapato de outra e o cabelo feito no fiado, fui para o concurso de miss. Sozinha. Meus pais não foram porque ninguém acreditava que eu pudesse ganhar. Mas anunciaram meu nome! Me encheram de buquês e fotos. Atravessei a rua, fui ao orelhão e liguei pra casa: ‘Mãe, tu tá falando com a Miss Palhoça!’. A partir daí, minha vida começou mudar. Como prêmio por vencer o concurso, ganhei um curso de estética e o direito de explorar comercialmente uma marca de produtos de beleza.
Me tornei uma profissional respeitada nessa área. Hoje tenho uma clínica de estética na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, sou consultora em congressos de estética e dou palestras sobre o assunto. Moro em um apartamento enorme e tenho o carro do ano! A minha gerente? Demorou, mas eu a reencontrei um dia no aeroporto de São Paulo. Foi em 2001, um ano depois de ganhar o concurso de miss. ‘Silu, é você? O que está fazendo aqui?’, ela perguntou. ‘Vim fazer umas fotos de divulgação da clínica. E você?’, respondi. Ela falou: ‘Eu vim para uma feira de moda. Queria te pedir pra você nunca falar o meu nome ou o da loja’. Devolvi na lata: ‘Não, pode ficar tranquila. O que tu me fez foi um imenso favor. Olha só onde estou! Se não fosse você, eu não estaria aqui, nem nunca viajaria de avião’.
Vingança.
Ela ficou muito sem graça. Eu, cheia de orgulho. Minha vida mudou da água para o vinho enquanto a tal gerente continua trabalhando naquela lojinha do shopping. E, para ajudar as pessoas que passam por situações semelhantes às que vivi, criei o site www.diariodeumaexgordinha.com.br/. Lá, divido minhas experiências e mostro a cada uma delas que é possível vencer, pois eu consegui quando ninguém acreditava em mim. Faço isso de graça porque quero que as mulheres tenham todas as informações que precisei buscar sozinha.
E o retorno que recebo é melhor do que qualquer remuneração. Quando leio os depoimentos dizendo o quanto eu as ajudei, olho pra trás e vejo o sentido da minha vida. Nasci pra isso, pra acreditar nas pessoas e ser um exemplo para elas. Enquanto puder, vou continuar ajudando, pois ter sucesso e não compartilhar é o mesmo que ser um perdedor. ”
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