Segunda-feira, 19 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 19 de outubro de 2026
O Museu de História Julio de Castilhos (MHJC) recebeu em doação o acervo do general Hipólito Pinto Ribeiro, militar de presença marcante na Guerra do Paraguai (1864-1870). Com cerca de 3 mil manuscritos, trata-se da maior doação documental já registrada pela instituição, localizada no Centro Histórico de Porto Alegre. A coleção estava sob os cuidados de Julia Ribeiro, tataraneta do militar e que reside no Rio de Janeiro.
“Receber este acervo é uma enorme responsabilidade. Nossa equipe acompanhou todo o translado para garantir a segurança dessas páginas da nossa história”, ressalta a museóloga Doris Couto, diretora do MHJC. “Agora, com todo o cuidado de conservação preventiva diante da contaminação por traças, umidade e fungos, vamos higienizar, digitalizar e organizar este material para que ele possa cumprir seu papel social e científico.”
Esse trabalho exigirá ao menos quatro meses de dedicação da equipe. Após a conclusão, o passo seguinte será disponibilizar os arquivos na plataforma tainacan.org, onde pesquisadores e público em geral poderão ter acesso online ao material.
Dentre os itens já avaliados está uma carta do general à sua esposa, relatando o drama dos combates intensos durante o conflito armado. Essa correspondência demonstra a presença de uma figura feminina em conflitos travados na América do Sul, onde historicamente são invisibilizadas as suas participações.
A doação se soma a outro ítem do general Hipólito já preservado pela instituição: uma espada sem bainha mas com o corpo estampado em metal dourado e ouro, no qual estão inscritas realizações e honrarias do militar até o final da Revolução Federalista (1893-1895). O artefato foi doado em 1962 pelo coronel Hipólito Ribeiro Júnior, filho do general e bisavô de Julia Ribeiro.
Quem foi o general
Hipólito Pinto Ribeiro nasceu em 1824, no município de Canguçu, Região Sul do Estado. Filho de uma família com histórico militar, ingressou como combatente na Guerra dos Farrapos (1835-1845) e, encerrado o conflito, alistou-se voluntariamente no Exército, onde iniciou longa carreira.
Participou da guerra contra Oribe e Rosas (1851-1852) e, posteriormente, da Guerra do Paraguai, destacando-se em importantes combates. Alcançou o posto de brigadeiro honorário durante o conflito, que colocou Brasil, Argentina e Uruguai (“Tríplice Aliança”) contra o país então governado por Solano López.
Já durante a Revolução Federalista, organizou em Uruguaiana uma divisão composta por tropas do Exército, Guarda Nacional e civis, recebendo durante o período a patente de general de Divisão.
Ele faleceu em 1904 em sua cidade natal. Os restos mortais foram posteriormente transladados pela viúva para São Gabriel, onde repousam em um mausoléu.
(Marcello Campos)
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