Domingo, 01 de novembro de 2026
Por Redação O Sul | 13 de janeiro de 2020
Ministros de pastas importantes do governo Argentino, como o da Educação e o chefe de gabinete, foram a supermercados no último fim de semana (11 e 12) para verificar se o programa de preços controlados está funcional.
Não são todos os produtos cujos valores são congelados, mas, sim, uma única marca –por exemplo, um tipo de iogurte de um fabricante.
Há um aplicativo de smartphone para verificar quais são os produtos com preços estabilizados e qual é o valor deles. O nome do programa é “Preços Cuidados”. Ele foi implementado, inicialmente, durante o governo de Cristina Kirchner, hoje vice-presidente de Alberto Fernández.
Santiago Cafiero, o chefe de gabinete – na prática, o número dois do governo –, publicou imagens de sua visita a um supermercado em uma rede social e pediu para que as pessoas fossem aos pontos de venda pra “controlar os produtos do ‘Preços Cuidados’ nas gôndolas”.
A ideia, de acordo com ele, é “envolver todos no tema”.
Elizabeth Gómez Alcorta, a ministra de Mulheres, Gênero e Diversidade, e Nicolás Trotta, ministro de Educação, foram até supermercados e postaram fotos deles mesmos com smartphone na mão checando valores em frente às prateleiras.
A inflação é um dos maiores problemas econômicos da Argentina, que também tem deficit fiscal, uma dívida com o FMI e credores privados que não consegue pagar e quedas do PIB.
Renegociação da dívida
O presidente argentino Alberto Fernández disse que estabeleceu o prazo de 31 de março para renegociar a dívida pública galopante da Argentina e que um Fundo Monetário Internacional mais “inovador” aprova a direção que seu governo está tomando.
A Argentina está conversando com os detentores de títulos e outros credores para reestruturar cerca de US$ 100 bilhões em dívida, entre eles o FMI, a quem deve cerca de US$ 44 bilhões.
“Acho que daqui até 31 de março nossa trajetória ficará muito clara”, afirmou Fernández em entrevista publicada no domingo pelo site de notícias online El Cohete A La Luna. “Esse é o teto que estabelecemos, porque há vencimentos significativos”.
Fernández, um peronista moderado de centro-esquerda, foi eleito em outubro com um mandato encarregado de pôr fim a dolorosos cortes fiscais implementados por seu antecessor, Mauricio Macri.
Os partidários de Fernández esperam mais gastos do Estado para ajudar as famílias que lutam em meio ao baixo crescimento, aumento da pobreza e inflação acima de 50%.
Depois de assumir a presidência há pouco mais de um mês, seu governo anunciou planos para aumentar os impostos sobre as exportações agrícolas, bem como esforços para obter receita com ativos estrangeiros e dólares de turismo argentino gastos no exterior.
As medidas trouxeram críticas da oposição, mas, segundo Fernández, conquistaram a aprovação do FMI.
“Tudo que foi proposto até agora foi visto como pontos de partida essenciais para ajustar a economia”, disse Fernández sobre as negociações iniciais do governo com a instituição financeira global.
Autoridades do FMI em Buenos Aires não responderam imediatamente a um pedido de comentário.
Fernández disse que a nova diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, está buscando uma abordagem mais “inovadora” do que sua antecessora, Christine Lagarde.
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