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Brasil Na certeza de vitória, os aliados de Temer pedem que até os indecisos registrem presença no Plenário da Câmara, nesta quarta-feira, para garantir o quórum na votação da denúncia contra o presidente

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Governistas querem "liquidar assunto" já nesta quarta-feira. (Foto: Valter Campanato / Agência Brasil)

Nessa segunda-feira, a “tropa-de-choque” do presidente Michel Temer na Câmara dos Deputados deu início a uma operação para tentar garantir a presença de pelo menos 342 parlamentares na sessão desta quarta-feira, para quando está marcada a análise da denúncia por corrupção passiva contra o peemedebista pelo plenário da Casa. Esse é o quórum mínimo exigido para que a votação da denúncia possa, de fato, começar.

Para alcançar as 342 presenças, a principal estratégia dos governistas é convencer deputados filiados a partidos da base aliada, mas que estão indecisos ou que votarão contra Temer a registrarem presença. A chamada “bancada do boi”, por exemplo, que integra a bancada do “BBB” (junto com as bancadas “da Bala” e “da Bíblia”) que representa 80% dos indecisos ou que ainda não manifestaram a sua posição, almoçará nesta terça-feira com o presidente, segundo o deputado Nilson Leitão (PSDB-SP). Com isso, esperam não depender da oposição, que reúne cem deputados, para que a votação possa começar.

Parte dos oposicionistas defende não registrar presença, para impedir o início da votação. O objetivo dos governistas é tentar liquidar já na quarta-feira a votação da denúncia, evitando que Temer fique “sangrando”, como deseja a oposição. A avaliação é de que é preciso superar a votação por dois motivos. O mais importante é evitar que o surgimento de novos fatos, como possíveis novas delações, prejudique o presidente. O segundo é deixar a pauta da Câmara livre para votação da reforma da Previdência.

Líderes governistas acreditam que a base aliada tem condições sozinha de garantir o quórum exigido para início da votação. Pelos cálculos deles, todos os partidos da base aliada reúnem juntos 380 deputados. Se a maior parte desses parlamentares registrar presença, independente de votarem contra ou a favor de Temer, o governo acredita que conseguirá reunir as 342 presenças mínimas exigidas para que a votação comece.

Rito

A sessão plenária em que a denúncia será analisada está marcada para começar às 9 horas, mas os trâmites da votação só poderão iniciar quando pelo menos 52 dos 513 deputados estiverem no plenário. A primeira etapa serão os discursos do relator do parecer sobre a denúncia, deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), da defesa e dos deputados inscritos. Só depois começará a votação de fato, que se dará por chamada nominal.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), porém, só pode chamar os deputados para votar quando pelo menos 342 deles tiverem registrado presença. Esse é o quórum mínimo exigido para que a denúncia seja aceita pela Câmara. Isso significa que, para barrar a denúncia, Temer precisa de apenas 172 votos, o que o governo já diz contar. Pelos cálculos de governistas, o presidente tem hoje mais de 250 votos a seu favor.

Temer foi denunciado por corrupção passiva pelo procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, com base na delação dos donos e executivos do grupo J&F, do qual o frigorífico JBS/Friboi faz parte. Na denúncia, Janot afirma que Temer foi beneficiário final da mala com 500 mil reais de propina pagos pela JBS ao ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), ex-assessor do presidente no Palácio do Planalto.

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