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Política Na eleição de 2018, Jaques Wagner era a primeira opção de Lula, que estava preso, para assumir a candidatura presidencial em seu lugar

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Wagner avaliou corretamente que o efeito dos programas sociais do governo transformaria o estado em uma fortaleza petista durante anos. (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

O PT de 2026 é composto, em linhas gerais, por dirigentes que ditam os rumos do partido, mas têm uma relação apenas política com Lula, e uma velha guarda que segue próxima do presidente, embora sem tanto poder interno.

O senador Jaques Wagner é um caso raro de petista na intersecção entre esses dois grupos, e é por isso que a ação contra ele, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (18), tem o potencial de causar tanto estrago eleitoral.

Líder do governo no Senado, Wagner é figura das mais poderosas dentro do PT e um dos grandes confidentes do presidente há décadas.

Nem o fato de ter sido próximo de Marisa Letícia, primeira-dama morta em 2017, o afastou do convívio com Lula, ao contrário de outras figuras que eram ligadas a ela e que acabaram se distanciando do presidente por causa de Janja.

Mais do que apenas um amigo, Wagner é alguém em quem Lula confia cegamente, o que o ajuda a seguir no posto de líder do presidente no Senado, ao menos por enquanto. Qualquer outra figura de menor expressão certamente já teria sido rifada.

Alguns episódios ilustram essa simbiose. Na eleição presidencial de 2018, o “galego” era a primeira opção de Lula, que estava preso, para assumir a candidatura presidencial em seu lugar. Wagner declinou e passou o bastão para Fernando Haddad na ocasião.

Talvez ainda mais emblemática tenha sido a eleição de 2006, quando Lula passou verdadeiramente a respeitar a capacidade analítica de Wagner. Na época, o hoje senador se candidatou ao Governo da Bahia desafiando um afilhado do poderoso Antonio Carlos Magalhães, maior cacique regional do país àquela altura.

O presidente achou que o amigo estivesse delirando quanto às suas chances de vitória e previu que ele perderia no primeiro turno.

Wagner avaliou corretamente que o efeito dos programas sociais do governo transformaria o estado em uma fortaleza petista durante anos. Não apenas triunfou como deu de presente a Lula uma imagem que entrou para a história, de ACM sentado num sofá de cabeça baixa, absorvendo o choque da derrota.

Como resultado, há 20 anos o PT comanda a Bahia, e Wagner mantém-se como liderança indiscutível do partido no estado, mesmo com a concorrência de Rui Costa, seu sucessor no governo estadual e parte da turma com quem Lula tem relação mais protocolar do que pessoal.

O paralelismo das biografias de Wagner e Lula ajuda muito a azeitar o compadrio entre os dois. Ambos se batizaram politicamente no sindicalismo –o presidente, metalúrgico do ABC, o senador, petroquímico da Bahia– e são da mesma geração (aos 75 anos, o senador é cinco mais novo que o presidente).

Jeitoso e bom palanqueiro como o amigo que ocupa o Palácio do Planalto, Wagner tem tamanho dentro do partido para desafinar o coro quando quer. Não foram raros os momentos em que irritou Gleisi Hoffmann quando ela presidia o PT ou cuidava da articulação política do governo, ao destoar da linha oficial.

O senador sabe que tem costas quentes, seja por sua trajetória interna robusta, seja pela relação direta com Lula.

A dúvida agora é até onde vai esse respaldo. Homem de partido, Wagner tem consciência de que se tornou um alvo fácil para os adversários de Lula.

Poucas horas após a operação da PF, aliados de Flávio Bolsonaro salivavam com a oportunidade inesperada que receberam para, se não empatar o jogo no caso Master, ao menos diminuir o prejuízo gerado pela troca de mensagens do senador do PL com Daniel Vorcaro.

Mesmo a estatura política do senador não o poupou de comentários irritados dentro do governo e do PT, de pessoas que se viram enganadas pelas garantias em série dadas por ele de que não havia nada comprometedor nas intermináveis denúncias que jorram dos celulares do banqueiro e aliados.

Quebra de confiança, ingenuidade e egocentrismo foram acusações que pipocaram no PT contra Wagner, que, por enquanto sobrevive politicamente, com oxigênio fornecido por Lula. Mas é justamente a relação com o velho amigo que o deixa mais exposto. Com informações da Folha de S. Paulo.

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