Domingo, 04 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 29 de março de 2020
Um homem de 43 anos foi preso por tossir de propósito em um paramédico na Inglaterra, em meio aos esforços do país para combater a pandemia do novo coronavírus. De acordo com informações publicadas pela Polícia do Condado de Gloucester nas redes sociais, a prisão foi feita na noite de sábado (28) durante uma chamada de socorro.
Uma equipe de paramédicos foi chamada para atender um homem que não estava se sentindo bem em sua casa. Enquanto prestavam socorro, um outro homem que estava em isolamento se aproximou e tossiu propositalmente no rosto de um dos atendentes.
A polícia foi chamada e fez a prisão. O homem foi acusado de “agressão” e “ameaça” de infecção por Covid-19 a um profissional de saúde. Ele foi liberado e aguardará julgamento em liberdade.
Na semana passada, o Reino Unido passou a prender pessoas que tossem deliberadamente em profissionais de saúde, após diversos relatos. A pena para esses casos pode chegar a dois anos de prisão.
Isolamento
Os britânicos podem estar sujeitos a alguma forma de isolamento por seis meses ou mais, disse a chefe médica adjunta da Inglaterra, Jenny Harries, neste domingo, alertando que o país corre o risco de uma segunda onda de coronavírus se a medida for retirada muito rapidamente.
O governo informou que revisará em três semanas as medidas de isolamento adotadas na segunda-feira passada. Harries disse que é muito cedo para saber se elas tiveram o efeito desejado de reduzir o pico de propagação do vírus no Reino Unido.
“Não devemos, de repente, voltar ao nosso modo de vida normal, isso seria bastante perigoso. Se pararmos, todos os nossos esforços serão desperdiçados e poderemos potencialmente ver um segundo pico”, afirmou Harries em entrevista coletiva.
“Com o tempo, provavelmente nos próximos seis meses, teremos uma revisão a cada três semanas, veremos para onde estamos indo. Precisamos manter essa proteção e, gradualmente, tomara, poderemos ajustar algumas das medidas de distanciamento social e gradualmente, todos nós voltamos ao normal.”
Harries acrescentou que isso é um “objetivo em movimento” e “precisamos apenas esperar para ver o sucesso que estamos tendo”.
Mortes e medidas
O Reino Unido superou a barreira de 1.000 mortes por coronavírus. Neste domingo (29), o número de óbitos era de 1.228.
O balanço mostra uma clara aceleração da propagação da doença no país. O Reino Unido registra um total de 19.780 casos diagnosticados de coronavírus.
Entre os infectados estão o primeiro-ministro conservador, Boris Johnson, e seu ministro da Saúde, Matt Hancock, enquanto o ministro encarregado da Escócia, Alister Jack, está isolado há sete dias, apresentando sintomas semelhantes aos do Covid-19, sem ter sido submetido ao teste até o momento.
O chefe do governo sofre de “sintomas leves” e continua a direcionar a resposta do executivo à pandemia, disse o ministro de Negócios Alok Sharma em entrevista coletiva no sábado (28).
Diante da aceleração da pandemia, o Reino Unido lançou uma corrida contra o tempo para viabilizar milhares de leitos hospitalares, sobretudo em Londres, onde a doença se espalha mais rapidamente.
“Ainda não usamos nossa capacidade total”, disse Stephen Powis, diretor médico do NHS England, sistema de saúde pública da Inglaterra, mas novas camas são disponibilizadas, especialmente em Londres, porque “o número de pacientes está aumentando todos os dias”.
Ele também pediu que as pessoas permaneçam “realmente, verdadeiramente confinadas” para conter a disseminação. “Se conseguirmos manter o número de mortos abaixo de 20.000, teremos saído com sucesso dessa epidemia”, embora cada “morte seja uma tragédia”, disse Powis.
À medida que o diagnóstico da equipe de saúde começa a tomar forma, o governo também se compromete a “incentivar a produção de equipamentos de proteção individual, como máscaras” e a reduzir “as barreiras administrativas à produção de gel antibacteriano”, para que possa ser disponível comercialmente “em alguns dias”.
As iniciativas se multiplicam para fornecer com urgência esses equipamentos de proteção.
A Casa da Moeda, que geralmente cunha moeda, planeja fabricar até 4.000 óculos de proteção de plástico por dia.
A marca de luxo Burberry anunciou que produzirá roupas e máscaras não cirúrgicas para pacientes em sua fábrica de Castleford, em Yorkshire, onde costumam produzir suas capas de chuva icônicas.
Na esfera econômica, depois de anunciar medidas de apoio sem precedentes para as empresas e trabalhadores afetados, o ministro Alok Sharma anunciou uma modificação do regime de falências.
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